Vidas que o destino marcou
Foram 12 biografias realizadas por Oscar Silbiger em 17 anos. Dentre elas, o biógrafo destaca a de um austríaco, espião do regime nazista na Inglaterra por três anos. Em 1949, ele emigrou para o Brasil, refez sua vida e constituiu uma nova família. O ex-espião se diz arrependido e resolveu desabafar através do livro, para amenizar seu sentimento de culpa.
Outra biografia, esta em fase de preparação, retrata a vida de uma famosa ex-dona de bordel de São Paulo. Ela enriqueceu nos anos 60 como proprietária de um prostíbulo conhecido, frequentado por refinados barões do café. Hoje, aos 82 anos, frequenta a sociedade paulista, aparecendo regularmente com destaque em colunas sociais.
A vida dos imigrantes judeus traz impressionantes relatos de sobrevivência. Silbiger biografou as dramáticas experiências de um imigrante polonês, prisioneiro de diversos campos de concentração na Polônia, Áustria e Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. O biografado foi o único sobrevivente de uma tentativa de resistência em Dachau (Alemanha), onde foram enforcados 15 judeus, exceto ele. Após sua libertação pelo exército americano, ele resolveu emigrar. Chegou ao Brasil em 1946, trabalhou como mascate em Santos, São Paulo, e hoje é presidente de um grupo composto por 16 empresas.
A força para transformar o próprio destino foi relatada por um fazendeiro do interior de São Paulo. Ele foi criado por um mendigo que o ensinou a ler, escrever e transmitiu uma cultura geral que certamente poucas pessoas no mundo tiveram. O biografado morou embaixo de viadutos, em praças e albergues. Hoje, ele é um dos mais respeitados pecuaristas brasileiros. (F.F.)





