Vida saudável, sem glúten
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Erica Shimamura<br> Reportagem Loca 
Com um ano e sete meses de vida, Gabriel Campos apresentava diarréia constante e vômitos, deixando seus pais bastante preocupados, pois os médicos não conseguiam descobrir a causa do problema. Durante seis meses, a família do garoto viveu a situação de agonia, passando por profissionais que não conseguiam fazer o diagnóstico do mal que afetava o menino. ''Naquela época morávamos em Foz do Iguaçu e poucas pessoas conheciam a doença'', relata Patrícia Campos, mãe de Gabriel. O diagnóstico só aconteceu depois de exames feitos em Curitiba, que comprovaram que a criança sofria da doença celíaca.
Logo depois do diagnóstico, a dieta sem glúten chegou como uma sentença. Para os celíacos, a restrição ao glúten dura a vida toda. Mesmo em pequena quantidade, ele pode causar sintomas adversos. O simples ato de utilizar a mesma colher para preparar alimentos contendo glúten e outros feitos separadamente contamina a dieta. Pães, bolos, bolachas, salgadinhos, pizzas, cervejas e tudo o que é feito à base de trigo, centeio, aveia, cevada e malte deve ser abolido para sempre.
Por isso, tanto o garoto quanto seu pai, Roni Campos, seguem rigorosamente uma alimentação livre de glúten. Patrícia conta que só depois de descobrirem a doença em seu filho souberam que seu marido também era portador, com a diferença de que no caso do pai, os sintomas se apresentaram na fase adulta e de forma mais branda. ''Meu marido tinha dermatite herpetiforme e problemas intestinais na infância. Mas só aos 30 anos começou a sentir as reações com mais intensidade'', conta Patrícia.
Além da falta de informação, Patrícia relembra que os alimentos alternativos ao glúten eram caros e difíceis de encontrar. ''Pedia para uma conhecida de Curitiba mandar outros tipos de farinha. Na época, 1 kg de farinha especial custava o equivalente a 6 kg da farinha de trigo''.
Hoje Gabriel tem 15 anos e é completamente saudável. Depois de cinco anos de tratamento, o garoto foi liberado pelo médico. Precisa apenas de acompanhamento de um clínico para fazer alguns exames de rotina.
Depois de tantos anos convivendo com restrições, Patrícia virou expert no assunto. A sugestão dela é olhar sempre com muita atenção os rótulos, e em caso de dúvidas, não consumir o alimento. Até hoje a maior parte dos pratos são feitos em casa por ela. Na época em que morava em Foz do Iguaçu, a família de Patrícia fazia parte de uma associação para celíacos, onde os almoços comunitários ajudavam na troca de informações, receitas e de apoio para encontrar pessoas que viviam histórias parecidas.
O trabalho como bancária teve de ser deixado de lado para a dedicação aos cuidados com a alimentação do marido e do filho. ''Moramos há três anos em Londrina. Agora, quero voltar a estudar, fazer uma faculdade de Nutrição'', conta, empolgada.
Lei favorável
A lei 10.674, de 16/05/2003, obriga os fabricantes de alimentos industrializados a indicar nos rótulos e embalagens dos produtos as inscrições ''Contém glúten'' ou ''Não contém glúten'', conforme o caso. A advertência deve ser divulgada com caracteres em destaque, nítidos e de fácil leitura.
(Fonte: Associação dos Celíacos do Brasil - www.acelbra.org.br)


