Vida normal depois do acidente
A nutricionista Lucievelyn Marrone, 27 anos, era apenas uma adolescente quando sua vida foi drasticamente modificada. Em um acidente ocorrido na estrada próximo a Arapongas, sua cidade natal, ela perdeu o braço esquerdo e o movimento das duas pernas. Na época ela estava com apenas 18 anos. ''Estávamos em cinco pessoas no carro e eu fui a vítima mais séria. Já no acidente meu braço fui quase todo arrancado'', conta.
Nessa época ela tinha terminado o colégio e se preparava para prestar o vestibular de nutrição. ''Tive que largar tudo e me mudar para Brasília. Lá fui internada no hospital Sara Kubitscheck, que é especializado em tratamento de pacientes com esse tipo de lesão. Quando cheguei o médico me perguntou o que eu queria deles e eu disse que gostaria de voltar a andar. O braço não era o pior para mim. Mas quando descobri que meu caso era irreversível, senti falta do braço e pensei que o mundo tinha acabado para mim'', lembra.
De acordo com ela, o pensamento de incapacidade vinha e voltava em sua cabeça, mas a incerteza durou pouco. ''Quando voltei para casa, pensei: eu não posso mudar minha condição e ficar trancada aqui me lamentando não vai ajudar em nada. No fundo sempre fui otimista e decidi então voltar a estudar e seguir a minha vida'', diz.
Ela se matriculou no cursinho e no mesmo ano foi aprovada na faculdade de nutrição. Diploma na mão, Evelyn, como os amigos a chamam, decidiu fazer pós-graduação e conseguiu um emprego. ''Fui trabalhar em uma clínica e cheguei a montar um consultório para mim, mas as coisas não eram fáceis. Eu sentia o preconceito das pessoas'', lamenta.
Determinada, ela decidiu tentar a carreira acadêmica. Em fevereiro do ano passado ela foi aceita para lecionar no curso de nutrição da Unifil, em Londrina. ''Dou aulas três vezes por semana e agora quero fazer mestrado e seguir nessa área'', afirma.
Além do trabalho e do estudo, Evelyn também retomou a vida social, abandonada depois do acidente. ''Quando uma pessoa se torna cadeirante, os amigos até visitam, mas quase ninguém chama para sair. Antes eu era muito baladeira, saía de sexta a domingo. Mas na cadeira é mais difícil porque nem todos os lugares têm acesso fácil. Aprendi a me virar e hoje levo a vida que eu queria antes do acidente. Tenho amigos, namorado, saio, vou ao cinema, me divirto, trabalho'', garante.
E se não bastasse tanta coisa, a moça ainda tem tempo para se dedicar a um hobby bastante difícil: a pintura de quadros. ''Antes eu pintava em tecido, agora uso telas. Para apoiá-las uso uma mesa porque o cavalete não dá com a cadeira. Mas estou meio parada por falta de tempo'', diz.
Para enfrentar todas as dificuldades, como calçadas mal conservadas, preconceito e baixo-astral, ela conta com a companhia da família. ''Aqui em casa sempre todo mundo me apoiou em tudo. Em casa faço tudo sozinha, mas para ir nos lugares preciso de ajuda porque as cidades não têm estrutura. Mas me considero uma vitoriosa por tudo que consegui até aqui. E a cadeira não me impede de sonhar e buscar meus desejos. Quero crescer na carreira, casar, ser feliz.''





