Vida longa às mulheres
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quinta-feira, 10 de maio de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Que as mulheres vivem mais, as pesquisas já confirmam. Essa fato pode ser observado simplesmente olhando as pessoas nas ruas e locais de encontro da terceira idade: a maioria dos participantes é do sexo feminino.
Segundo os médicos, o organismo feminino produz hormônios protetores e os hábitos das mulheres geralmente são mais saudáveis do que os dos homens. Outros bons motivos para a diferença entre os sexos: mulheres fumam e bebem menos, se alimentam melhor, dormem mais e têm a genética a seu favor. Mas, ainda assim, as visitas ao médico e os exames preventivos são fundamentais para evitar vilões bastante conhecidos, como o câncer e a osteoporose.
Para a ginecologista Sonia Pesarini, o cuidado com as meninas geralmente já é maior por parte dos pais do que com os meninos, o que garante um vida mais saudável a elas. ''Se você perguntar a um pediatra qual paciente o visita com mais frequência, ele provavelmente irá dizer que são as meninas. Elas têm mais dores abdominais e de cabeça, assim como secreção vaginal. Qualquer probleminha que elas apresentam os pais procuram o médico, e isso é bom'', observa.
Independentemente das visitas durante a infância, ela diz que o ideal é que vá ao médico, ginecologista ou pediatra, logo depois da primeira menstruação, chamada de menarca. ''Nesse momento, o especialista irá realizar um exame clínico da garota para observar se há dor, alteração da menstruação ou instabilidade hormonal, que são ocorrências comuns. Caso exista algum problema, é preciso fazer um exame de sangue para descobrir se é apenas transitório, da idade, ou algo mais sério'', explica.
Entre os 11 a 15 anos, a especialista também diz que é indicado realizar um ultra-som para verificar o formato do útero e alterações nos ovários. ''É um exame simples, feito externamente e que pode detectar cistos nos ovários e formação inadequada do útero durante o crescimento. Esses problemas podem dificultar a reprodução no futuro e os exames serão uma dica para um possível tratamento. Nessa fase, o médico já pode alertar para o auto-exame da mama, para que a garota conheça a constituição do seu corpo e possa perceber qualquer alteração'', afirma.
O normal é que não existam complicações nesse período e, por isso, a menina ainda não necessita das consultas anuais. Elas podem acontecer a cada dois anos apenas para um acompanhamento de rotina. É a partir das 21 anos, ou quando a vida sexual for iniciada, que outros exames são necessários. ''A mulher então precisa de consultas anuais para a prevenção do câncer de colo de útero. É fundamental realizar o Papanicolau para verificar infecções virais e processos inflamatórios, além da presença de microorganismos no colo e na vagina'', comenta.
Quando as velinhas no bolo completarem o número 35, chega a vez de verificar com mais atenção a saúde das mamas. ''De acordo com o protocolo médico, entre 35 e 40 anos a mulher precisa fazer a primeira mamografia. Essa idade pode diminuir caso existam casos da doença na família. Depois dos 45, a mamografia precisa ser intercalada com o ultra-som das mamas (com intervalo de um ano entre um e outro). Isso porque, depois dessa idade, o risco de câncer aumenta bastante e, quando descoberto na fase inicial, as chances de cura são muito altas'', explica Sonia.
É nessa fase que as mulheres também precisam procurar um cardiologista, realizando exames de esforço e eletrocardiograma. ''Se a paciente for fumante e sedentária, o exame deve ser depois dos 35 anos'', alerta.
Por último está a prevenção à osteoporose, doença que atinge basicamente as mulheres. Depois da menopausa, os ossos sofrem uma descalcificação grande por causa dos hormônios. De acordo com a especialista, ''o exame de densitometria é importante para verificar a qualidade do esqueleto e a necessidade de dieta especial. Um intervalo de dois ou três anos entre um exame e outro é suficiente''.
A vantagem de tanto cuidado, segundo Sonia, é o ganho na qualidade de vida e o aumento da longevidade. ''A medicina hoje é muito preventiva. Todo problema descoberto em fase inicial tem mais chances de cura e tratamentos melhores''.
Para quem não possui plano de saúde e nem condições de pagar pelos exames, a ginecologista lembra que o SUS oferece todo o check up em seus postos e hospitais. ''Muitas vezes as pessoas reclamam que demora, mas é apenas uma questão de agendar. E se não for possível, as mulheres não precisam entrar em pânico. Uma consulta com um médico para uma conversa ajuda muito'', recomenda a gnecologista.


