Viciadas em beleza
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sexta-feira, 05 de janeiro de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Desde que foi liberada no Brasil para uso estético, em 2001, a toxina botulínica (Botox), vem ganhando cada vez mais adeptos e se tornou uma ótima opção para combater as indesejáveis ruguinhas e devolver o aspecto jovem e alegre do rosto.
O resultado das aplicações, que são feitas de forma rápida e indolor e sem a necessidade de internação ou cuidados pós-operatórios, se mostra tão satisfatório que muitos pacientes podem se viciar nas agulhadas da beleza, segundo cientistas britânicos.
Uma pesquisa feita por duas instituições da Grã-Bretanha mostrou que 40% dos pacientes que fizeram aplicação de Botox expressaram vontade 'compulsiva' de passar novamente pelo tratamento. Em 2005, o número de britânicos que usam Botox aumentou 50%. O grupo de pesquisa em marketing Mintel estima que, em média, 100 mil britânicos se submetem ao tratamento a cada ano.
O problema não está no número de pessoas que realizam as aplicações, mas na frequência que elas acreditam ser necessária. ''A maioria das minhas pacientes são assíduas, daquelas que já fizeram várias sessões. Mas isso depende da imagem que a pessoa tem de si mesma. Algumas são muito críticas e sentem necessidade de realizar outra aplicação sem que isso seja indicado pelo médico. Já tive algumas pacientes assim no meu consultório'', diz a dermatologista Jorgete Megid Carrilho.
''O Botox muda a aparência física da pele e da face. Isso aumenta o bem-estar e a auto-estima. É fácil entender como as pessoas estão ficando viciadas'', comenta o coordenador da pesquisa britânica, Carter Singh.
De acordo com a dermatologista, não há riscos para a saúde com a aplicação contínua do Botox. ''Depois de 15 dias, já é possível fazer uma segunda sessão, mas isso não é necessário a menos que seja preciso algum retoque. A substância não causa alergia ou incômodo, com exceção de casos muito raros de grande produção de anticorpos. Se isso acontece, o resultado não aparece'', afirma.
O efeito do Botox, segundo a especialista, dura de dois a seis meses, dependendo de cada caso, e após esse período uma nova aplicação pode ser feita sem problemas. ''A ruga vai voltando devagar e o paciente pode reaplicar sem riscos e sem a necessidade de aumentar a dose injetada. Mas é preciso existir indicação médica e bom senso por parte do profissional e do paciente também. Se vejo que a pessoa não precisa de uma nova sessão, não faço'', garante.


