Viagem pelo mundo das letras
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de maio de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Em plena era digital, os livros de papel ainda encantam a juventude mundo afora. Prova disso são jovens como Ney, Stevan, Gabriela e Carolina, alunos do Ateneu/CPV que vão muito além das listas de títulos indicados pelos professores. Eles lêem porque gostam. E muito.
Carolina Bruschi, 16 anos, lê, em média, de dois a três livros por mês. A paixão pela literatura não foi imposta na escola, muito menos em casa. Pelo contrário. ''Em casa ninguém lê. Minha mãe até fica brava porque eu passo as férias inteiras sem sair, fico só lendo'', conta Carolina, que tem como livro preferido o clássico ''O Conde de Monte Cristo'', de Alexandre Dumas.
Mas Carolina também gosta dos livros contemporâneos. Ela leu e adorou os cinco livros da série Harry Potter, um fenômeno de vendas mundo afora. ''Foi Harry Potter que abriu essa faixa de idade como público-alvo, atraindo meninos e meninas'', diz Luciana Villas-Boas, diretora editorial da Record, responsável pelo lançamento de Gossip Girl e O Diário da Princesa, duas séries que também têm encantado jovens leitores. De acordo com Luciana, há décadas não via a formação de um grupo significativo de leitores jovens e que não pára de crescer.
Foi um clássico infanto-juvenil que despertou o prazer da leitura em Gabriela Bertipaglia de Santana, 15 anos. Ela tinha nove anos quando os pais que também adoram ler a presentearam com um exemplar de O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. De lá para cá não parou mais. Lê um livro atrás do outro. Agora mesmo está com volumoso Os 100 livros que mais influenciaram a humanidade, de Seymour-Smith. Ou seja, é uma leitura que pode desencadear outras 100.
Nem Gabriela, nem Carolina ouviram falar da série Gossip Girl da norte-americana Cecily von Ziegesar. Mas é uma questão de tempo, já que o livro vai virar filme em breve. Nos Estados Unidos esteve em primeiro lugar na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times. A nova investida do mercado editorial mundial agora é a chamada ''literatura de menininha''. ''Os adolescentes são um dos principais públicos desta bienal. Haverá diversas atrações para essa faixa etária e pelo menos 50 lançamentos, de autores estrangeiros e nacionais'', afirma o editor Paulo Rocco, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), que organiza a Bienal do Livro (que termina no domingo no Rio de Janeiro) em parceria com a Fagga Eventos.
Também na mira dos editores, Ney Rafael Secco, 15 anos, e Stevan Francisco de Luiz, 16, também são bons de leitura. Ney, por exemplo, não se prende a um título apenas. Agora mesmo está lendo três livros ao mesmo tempo. E de assuntos variados. Um fala de astronomia, outro de matemática e o terceiro, filosofia. ''Não fico preso a um livro só'', diz. A tripla escolha tem a ver com o caminho profissional que o estudante pretende traçar em breve, já que ele quer cursar engenharia aeronáutica.
Encantado com as letras desde pequeno, Stevan lembra com carinho de um livro que a mãe costumava ler para ele. Qual não foi sua felicidade quando descobriu que poderia ler sozinho. ''Foi uma sensação boa, de eu ter ganhado alguma coisa'', conta. ''Tenho essa mesma sensação sempre que acabo de ler um livro novo'', explica Stevan, que hoje prefere livros que o façam aprofundar na história. Não por acaso, está lendo agora títulos sobre o Dia D, que marcou o final da 2 Guerra Mundial e está próximo de um novo aniversário, no dia 6 de junho. ''Gosto de livros de história porque mostram o mundo de hoje a partir de acontecimentos passados'', explica
Enquanto Ney prefere livros novos, Carolina vasculha sebos atrás títulos interessantes para sua biblioteca particular. Fã de suspense, Gabriela adora intercalar entre um livro o outro um clássico de Agatha Christie. Para leitores em potencial, os três dão suas dicas. ''O Pequeno Príncipe'', não titubeia Gabriela. Para Carolina, a série Harry Potter ''estimula quem está começando'', diz. Já Ney indica livros de contos ou crônicas. ''São curtos e rápidos de ler''.
''A leitura traz novas ferramentas para argumentar e também para manipular melhor os nossos textos'', ensina Ney Rafael. Se alguém já pensou em escrever? ''Eu até pensei, mas desisti. Acho que não teria tantas idéias. Prefiro ler'', conta Carolina. (Com colaboração da Agência O Globo)


