Viagem pelo corpo humano
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quinta-feira, 11 de abril de 2002
Guilherme Sierra Agência Estado 
Imagine uma pílula fazendo uma viagem insólita pelo aparelho digestivo. Pois, aos poucos, a ficção científica vai se tornando realidade prática. Depois de tantos avanços na medicina genética, chega ao Brasil uma cápsula capaz de fazer fotos digitais de dentro do corpo humano. O minúsculo aparelho está disponível no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, para exames de endoscopia intestinal.
A pílula, com tamanho de 11 x 26 mm, é resultado de outra tecnologia que também avança diariamente, a de espionagem militar. Pesa 4 gramas e é revestida com material biocompatível, ou seja, que o organismo não rejeita. Acho que é o início de uma nova era. Daqui a pouco vai ser possível até mesmo dirigir a cápsula por controle-remoto, anima-se Artur Parada, chefe do Departamento de Endoscopia do hospital.
O exame feito com a novidade é bastante simples. O paciente engole o medicamento tomando água. Depois, fica livre o dia inteiro para fazer as suas atividades cotidianas normalmente. Enquanto viaja pelo interior do corpo, a cápsula transmite duas imagens por segundo, através do sistema de radiofrequência, ao gravador eletrônico preso à cintura da pessoa. A bateria dura 8 horas, por isso o paciente tem de voltar ao hospital ao término desse tempo para que o especialista amplie as imagens no computador. São, no total, cerca de 50 mil fotografias digitais. A pílula, descartável, é eliminada pelas fezes.
A tecnologia ainda é nova no Brasil. Dois pacientes já foram examinados por meio do equipamento ambos apresentavam sangramento no intestino, sem que os médicos soubessem a verdadeira causa da hemorragia. Sem a cápsula, não tínhamos como saber o que estava acontecendo. Apenas receitávamos os remédios necessários, diz Parada. São imagens muito boas e esclarecedoras.
Técnica tem várias funções
A pílula tem várias finalidades, mas é ideal para se examinar o intestino delgado, um dos órgãos mais difíceis de ser observado segundo Parada. É que esse órgão tem de três a cinco metros de comprimento, o que dificulta os procedimentos de endoscopia convencionais, incapazes de ver uma úlcera no intestino.
Apesar de identificar com precisão casos de feridas, a cápsula endoscópica não substitui os aparelhos utilizados atualmente. Serve para a realização de exames visuais detalhados, não para curar o problema, ressalta Parada. A vantagem para o paciente é que não causa desconforto nem apresenta risco de contra-indicações.
Por ser nova, a consulta com o exame de última geração tem preço elevado: R$ 2,5 mil. As avaliações normais de endoscopia custam, em média, R$ 200,00. Artur Parada afirma que, para o hospital, a avaliação também sai caro, uma vez que cada comprimido eletrônico tem de ser importado dos Estados Unidos por US$ 640. Por enquanto, a cápsula vai ser usada em casos de emergências médicas ou, claro, para pacientes com condições financeiras de pagar o tratamento, diz o médico. (G.S/AE)
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Reprodução
Viagem Insólita, de Joe Dante, foi realizado há 15 anos
Filme se antecipou à realidade
Em 1987, a imaginação do diretor norte-americano Joe Dante trouxe à realidade uma das maiores aventuras do cinema: Viagem Insólita, com Dennis Quaid, Martin Short e Meg Ryan.
No filme, o serviço secreto dos Estados Unidos descobre a fórmula de ver o corpo humano por dentro. Mas, em Hollywood, a tecnologia vai além, claro: a cápsula não apenas faz imagens do interior do corpo como é capaz de transportar um ser humano reduzido ao tamanho de uma molécula sanguínea.
O militar Tuck Pendleton, interpretado por Quaid, submete-se ao experimento que era para ser injetado num coelho. Ladrões roubam a injeção e Pendleton vai parar, ironicamente, no corpo do hipocondríaco Jack Putter (Martin Short).
A máquina permite que ambos conversem entre si, e Putter acaba levando o militar ao encontro de sua namorada, Lydia (Meg Ryan). O filme ganhou o Oscar de efeitos visuais. (G.S)


