No guarda-roupa de Danilo Ricardo Hara, 20 anos, as camisas de clubes de futebol ocupam quase a totalidade dos cabides. Ao todo, ele possui 124 camisetas, sendo 85 de seu time do coração - o Londrina Esporte Clube (LEC).
''Comecei a colecionar de verdade há três anos. Compro pela internet, negocio trocas e também visito brechós. Consegui encontrar uma camisa do LEC de 1977 em um desses brechós no Centro'', conta. ''Já me ofereceram R$ 300 pela camisa, mas essa não tem preço'', revela.
A coleção de Danilo está toda catalogada. Ele fotografou peça por peça e incluiu informações gerais sobre os modelos adquiridos. A concretização de compra e troca feitas pela internet também foram registradas, assim como o contato de todas as pessoas que conheceu durante as negociações.
Além de colecionar, as camisetas de time acabaram se transformando em seu ''uniforme'' para o dia a dia, seja para ir ao shopping ou à faculdade - ele é estudante do curso de Ciências do Esporte, na Universidade Estadual de Londrina.
O objetivo do estudante é ser o maior colecionador de camisas do Londrina. ''Ultimamente tenho comprado só os modelos do LEC. Não conheço ninguém que tenha uma coleção maior do que a minha'', ressalta Danilo, membro da Falange Azul, a torcida organizada do Londrina Esporte Clube.


A nova camisa da Seleção Brasileira, que será usada na Copa na África do Sul, é feita de tecido produzido com garrafas PET. O modelo criado pela Nike já pode ser encontrado no mercado e custa R$ 269 (oficial) e R$ 179,90 (réplica).

Unidos pelo futebol


Mulheres apaixonadas por futebol já não são mais novidade, mas ainda despertam curiosidade. Na vida da estudante de Jornalismo Isabella Carvalho Grade, 19 anos, gostar e entender do universo futebolístico tem a ver com a sua infância. ''Desde bebê, meu pai comprava camisas do Palmeiras para mim. Aprendi a gostar com ele'', conta.
Além de assistir aos jogos pela televisão, ela vai a estádios com a família. O irmão, tios e primos são todos palmeirenses. ''É o momento de estarmos juntos, falando sobre um assunto em comum'', revela.
A coleção de camisas do Verdão está começando e só não é maior porque as peças são caras, justifica Isabella. ''Tenho três originais do Palmeiras e duas não oficiais, além de uma do Chelsea (clube inglês)'', revela. O detalhe é que seus modelos são personalizados. ''Peço para vir de São Paulo com o meu nome gravado nas costas e escolho o número do jogador''. O preço médio gira em torno de R$ 140, incluindo o frete, conta a estudante.
Além de ser fã de carteirinha, Isabella sabe jogar futebol. Aos 15, ela decidiu se inscrever na turma do futebol de salão da Associação Atlética do Banco do Brasil, em Londrina. Na época, a atitude causou estranhamento, pois era a única menina do time. ''Havia um certo preconceito, os meninos do futebol estranharam, mas o técnico explicou que eu estava ali só para ganhar condicionamento físico. Depois, o receio acabou e ficamos amigos'', recorda.
A família da estudante também não gostou no início. ''Meus avós estranharam, mas com o tempo viram que era só preconceito, e que o gosto pelo futebol não mudou em nada a minha vida'', conta.
Clássico em casa
A coleção de camisas de clubes do fisioterapeuta Guilherme Ferrari de Barros, 29 anos, é tão vasta que ele não tem ideia de quantas peças possui. ''Comecei a colecionar há uns dez anos. Preciso contar, não sei quantas tenho'', revela. Além dos modelos do Corinthians, as camisas da Seleção Brasileira e de times europeus entram na conta.
Mais do que roupa usada em dia de jogo, as versões tradicionais do Corinthians servem também para a prática de atividades físicas, conta ele.
E, ao contrário do que ditam os especialistas em moda, Guilherme usa a camisa do Corinthians também em eventos noturnos, como em churrascos e barzinhos. ''Comprei algumas da coleção comemorativa do centenário do Corinthians. São feitas de algodão, sem propaganda, réplicas de modelos antigos como a camisa de 1950'', justifica.
Apesar de gostar de futebol e de colecionar camisas de outros times, Guilherme só não aprova os modelos com estampa verde. ''Minha esposa é palmeirense. Ela tem uma camisa do Palmeiras que eu escondi e só deixei usar para a foto'', brinca o corintiano.

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