Vestido de noiva
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de setembro de 2003
Lilian Raà<br> Agência Folha 
Depois da morte decretada dos tailleurs e terninhos sem nenhum detalhe fashion, o vestido de noiva se mantém como clássico indiferente ao vaivém de modismos. Um ano antes da cerimônia de casamento, os preparativos lotam a agenda da noiva. De cinco a três meses antes do grande dia, a atenção está voltada para o vestido, o maior responsável pelos comentários do ''day-after'' (dia seguinte), como o sugere o estilista carioca Carlos Tufvesson. A origem do vestido branco, com véu e grinalda é controversa. Da mitologia grega à Renascença, a explicação para os detalhes dos rituais remete a diferentes épocas. A única certeza é que as noivas ainda preferem casar-se de acordo com a tradição, seja esta de onde for.
''Mesmo noivas de tribos mais modernas escolhem modelos tradicionais. Acredito que o casamento seja uma cerimônia tradicional por si só e querer extrapolar nunca deu muito certo. É preciso ser feito com jeito, cuidado e sensibilidade'', diz Tufvesson.
No livro Cerimonial do Casamento, a autora Maria de Lourdes Wolff, da Wolff Assessoria e Consultoria em Cerimoniais, relata que o atual vestido de noiva pode ter sua origem na mitologia grega, no mito de Himeneu. O deus do casamento era evocado nas núpcias quando a noiva era conduzida para a casa do marido, vestida de branco e com coroa, comuns em cerimônias religiosas. O rosto era coberto com véu e a jovem carregava uma tocha até o local da cerimônia.
A origem do buquê pode ser francesa, a palavra bouquet, significa aroma. Na Europa, a noiva seguia para a igreja a pé. Durante o trajeto, recebia flores de seus vizinhos e, ao chegar, tinha em suas mãos um buquê de flores.
Outros detalhes Clássico ou moderno, a variedade de modelos surge de todos os lados: revistas, salões, lojas especializadas e até na Internet. No entanto, seja qual for o modelo escolhido, o vestido deve estar de acordo com todos os outros acessórios, como buquê, maquiagem, penteado, vestidos das madrinhas, além da decoração e até do tamanho da igreja ou local de cerimônia. Não bastando todos esses detalhes, os modelos são diferentes para cada hora do dia em que será realizada a cerimônia. E, claro, estatura, peso, cor da pele e do cabelo também ajudam a definir o modelo ideal, que nem sempre é aquele dos sonhos.
O estilista Tufvesson, por exemplo, diz que é muito direto e avisa suas clientes quando o vestido idealizado pela noiva não é o melhor para o seu biotipo. Então, apesar de parecer impossível, na hora de escolher deixe a emoção um pouco de lado. Além de levar em conta o tipo físico, outra tarefa nada fácil é adivinhar como estará o tempo no dia do matrimônio. A estação do ano é o primeiro item para pensar no vestido. ''Aliás, isso determina a data para muitas noivas que hoje preferem primavera e verão'', conta Lúcia U'Urso, estilista e consultora.
Tecidos Para outono e inverno, as preferências e novidades são pelos tecidos mais pesados, como gorgurão, zibeline de seda pura, shantung de seda, e veludo. Os modelos são mais encorpados. E, como os próprios estilistas ressaltam, nosso inverno tropical permite alguns pecadinhos, como um decote moderno ou o clássico tomara-que-caia.
No verão, os tecidos requisitados são mais leves, como musselines, rendas e organza de seda. Os modelos podem abusar de alcinhas e o longo pode ser substituído pelos modernos médio ou curto, mas de acordo com o horário da cerimônia. O véu curto acompanha um modelo longo ou curto, mas o véu comprido fica melhor com vestidos longos, com ou sem cauda. Lúcia acredita que a noiva está mais moderna. Prefere um modelo mais clean e com design.
Rainhas ou plebéias, as noivas têm outra cor como preferida para o matrimônio, o champagne. Os coloridos foram mais comuns há cinco anos, agora andam sumidos. O famoso vestido-bolo-de-noiva ainda está entre os mais vendidos, mas Lúcia avisa que sem atenção na hora da escolha, a noiva fica parecendo mais uma ''porta-bandeira''.
Regionalismos Se a noiva visitar um estilista, uma dica é não confiar apenas no desenho. Assim como adoramos uma roupa no editorial de uma revista, quando vestimos o modelo a percepção em nosso corpo pode resultar em decepção. Procure experimentar um vestido de noiva semelhante, do mesmo estilo, para saber se combina com seu biotipo. ''Por exemplo, a noiva cinderela para uma mulher mais madura é extremamente perigoso'', alerta Lúcia.
A consultora conta que as noivas do Brasil diferem na hora de escolher o vestido. ''As cariocas adoram bordados, os detalhes que dão glamour ao modelo. A noiva de São Paulo pensa muito em tecido, está antenada nas novidades e busca caimento e fluidez.'' Lúcia conta que as noivas do Sul mesclam moderno e tradicional na hora de escolher um modelo, além de serem exigentes com todos os detalhes. Em Minas, as noivas querem o vestido mais tradicional, com véu, cauda e sobressaia.
Para Lúcia, não custa fazer uma reunião com as madrinhas para evitar constrangimentos relacionados à cor. ''Supostamente são amigas mais íntimas, que querem participar desse momento. Então, a mãe da noiva escolhe primeiro sua cor, depois a mãe do noivo e, então as madrinhas escolhem. Assim, elas ficam à vontade para saber por exemplo, se a noiva libera a cor preta, que há pouco não era admitida para esse ritual e hoje é mais comum.''
Disfarçando a emoção Ao segurar um buquê, a noiva disfarça as mãos trêmulas, perdoável. O buquê, dizem os estilistas, é a primeira coisa que os convidados vêem na noiva. ''Ele é tão importante quanto o vestido'', diz Lúcia. Apesar de não ser a favor de regras, a estilista comenta que a decoração deve ser levada em conta, além das preferências de cada noiva.
Os vestidos brancos e perolados combinam com buquês de cores fortes (vermelho) ou coloridos. Os vestidos estampados pedem mais atenção na combinação de flores variadas, nesses casos, flores brancas podem ser uma boa saída. Os de formato redondo devem ser evitados pelas gordinhas e, apesar de ser usado em qualquer horário, é mais indicado para casamentos até as 18 horas. A cascata é um buquê de formato triangular, que pode chegar a 45 centímetros. É um buquê sofisticado e é indicado para ser usado à noite.


