Verdades e mentiras sobre a caspa
Da Redação
O nome científico dermatite seborréica até que não é tão conhecido, mas basta falar em caspa que todo mundo torce o nariz, lembrando aqueles pontinhos brancos que aparecem nos cabelos de quem sofre desta doença, que não é contagiosa e nem inflamatória. Suas características se resumem a descamação da pele e do couro cabeludo. Descrita pela primeira vez em 1887, é surpreendente que a caspa continue ocorrendo e despertando tanto o interesse popular quanto científico. Dados atualizados revelam que a doença atinge 18% da população mundial, incidindo principalmente em adolescentes e adultos jovens (18 a 40 anos). Entretanto, recém-nascidos e idosos também podem apresentá-la. Ela se manifesta em ambos os sexos, porém, ela atinge mais os homens e tem maior incidência na raça branca.
É importante saber que a dermatite seborréica é uma doença recorrente, aparecendo em surtos durante um período longo da vida do indivíduo acometido, se este não souber tratá-la afirma Maura Bressan, médica do Serviço de Dermatologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A dermatologista explica que o mecanismo que dá origem à caspa está diretamente ligado a alterações de formação e crescimento das células da pele e ao número e à função das glândulas sebáceas, que são responsáveis pela produção de sebo e oleosidade. Assim, indivíduos que possuem um grande número dessas glândulas ou apresentam hiperatividade das mesmas, têm uma produção aumentada de sebo, podendo desenvolver a dermatite seborréica, afirma.
Herança genética Os fatores que causam a dermatite seborréica são ainda pouco conhecidos. Há indícios de que a herança genética tem importante papel como causa, pois já foram relatados casos de vários indivíduos na mesma família com a doença. Alguns estudos propõem que o hormônio sexual masculino pode estar relacionados como causa do problema. Também a presença de um fungo (Pityrosporum ovale) na pele afetada está envolvida no processo, diz Maura Bressan.
A médica observa que há algumas doenças que têm forte associação com a dermatite seborréica como diabetes, obesidade, doença de Parkinson, doenças psiquiátricas e Aids. Sabe-se que 70% dos pacientes aidéticos possuem dermatite seborréica, e, geralmente, é um quadro muito mais intenso e de difícil controle. O estado emocional de estresse e o descontrole psíquico também são relatados por vários pacientes como agravantes da dermatite.
Outros relacionam alimentos gordurosos e bebida alcoólica como sendo responsáveis pela piora da doença.
Queda de cabelo As manifestações clínicas mais comuns são escamação, vermelhidão e aspereza local. As escamas podem ser secas ou gordurosas, finas ou espessas, geralmente acinzentadas ou amareladas, e quase sempre aderentes, podendo ser acompanhadas ou não de coceira.
Sem dúvida, o couro cabeludo é a parte do corpo em que a incidência da caspa é mais comum. No entanto, a dermatologista Maura Brassan observa que a doença pode se manifestar também em toda a região do centro da face, sulcos próximos às asas do nariz, regiões atrás das orelhas, sobrancelhas, cílios e barba. Pode haver também comprometimento da região central das costas, regiões intermamária e pubiana, afirma a médica. A dermatite seborréica é causa comum de queda de cabelos. Cerca de 72% dos pacientes portadores da doença possuem algum grau de perda, podendo até mesmo levar a rarefação capilar.
As pessoas com este quadro devem procurar um dermatologista para tratamento e controle efetivo da enfermidade. Afinal, além de ser uma doença que atrapalha a estética do corpo, pode atrapalhar o paciente nas áreas profissional e amorosa. Isso sem falar que a dermatite pode levar a complicações como infecção local secundária por bactérias ou fungos, conjuntivite (quando surge nos cílios) e alopécia (ausência de pêlos). Maura Bressan alerta para o uso de medicamentos ou xampus errôneos, que podem levar a quadros irritativos e ao agravamento da doença.
Na tentativa de se livrar da doença, alguns pacientes cortam os cabelos bem curtos ou até mesmo raspam. Segundo a dermatologista, esta atitude não cura a dermatite, apenas alivia o quadro clínico, pois está comprovado que não há relação entre o tamanho do fio de cabelo e a presença da descamação. Muitos produtos e remédios têm sido usados para o tratamento da dermatite. Porém, antes de usar qualquer medicação, é bom lembrar que essa doença é decorrente do próprio organismo do indivíduo. Somente será possível controlar o problema se, além do tratamento medicamentoso, o paciente alterar seus hábitos, acrescenta Maura Bressan.





