Verão sem férias
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de janeiro de 1997
Rosângela Vale 
Fotos: Marcos BorgesElise, Flávia, Bruna, Patrícia e Kelly: rotina espartana
Enquanto a maioria dos adolescentes aproveita as férias de verão, um grupo de ginastas brasileiras se concentra em Londrina, treinando intensivamente para a Copa Quatro Continentes de Ginástica Rítmica Desportiva, em julho, na Austrália. Ao todo, são 11 garotas, as melhores do Brasil na categoria adulto (a partir de 15 anos), sob a coordenação da técnica da seleção brasileira Bárbara Laffranchi.
A rotina das meninas começa cedo. Acordam às 8 horas e já vão para a sala de ginástica da Unopar. A instituição mantém uma casa, construída especificamente para abrigar a equipe de GRD, e uma empregada doméstica para cuidar da limpeza e da alimentação. O treino tem inicio às 9 horas, vai até às 11, e recomeça às 14 horas, terminando por volta das 18 horas. Sair de casa à noite, nem pensar. Ficamos muito cansadas, diz Flávia Cristina, 15 anos, de Brasília. Os passeios acontecem apenas nos finais de semana e até agora têm um destino só: o Shopping Catuaí.
Helissa, Vanessa e Fernanda: Uma medalha compensaria os sacrifícios
Tantos sacrifícios em plenas férias de verão tem um objetivo muito definido: Uma medalha compensaria tudo, dispara a sergipana Vanessa Ferreira. E apesar dos suspiros quando lembram que poderiam estar na praia, todas se apegam a uma só idéia: Imagine só quando estivermos competindo, todo mundo vai estar estudando, e a gente lá em Sidney..., sonha a londrinense Luciana Oliveira, 18 anos.
Entre as exigências da técnica Bárbara Laffranchi, 10 horas de sono por noite e uma dieta espartana: nada de frituras, doces e refrigerantes. Ela nos pesa toda a semana; se engordamos um pouco, vem aquela bronca, conta Luciane. A dieta é seguida à risca durante a semana, mas aos domingos ninguém resiste a um sorvetinho. Dormir 10 horas também está fora de cogitação. Ficamos conversando até a 1 hora da manhã, revela a paulistana Bruna Vieira, 14 anos.
As londrinenses Camila e Luciane, e a capixaba Juliana
Apesar de morar em Estados diferentes, muitas delas já se conheciam devido aos inúmeros campeonatos que disputaram pelo Brasil afora. O clima de amizade e companheirismo é constante. Pelo menos por enquanto. É que na próxima semana vai haver uma seleção para determinar quem fica treinando e quem volta para casa. Vou escolher oito garotas, seis para as disputas em conjunto e duas para a prova individual, explica Bárbara.


