Velhice é estado de espírito
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de novembro de 1997
Cleide Cavalcante Agência Estado 
Arquivo FolhaA artista plástica Tomie Ohtake foi uma das entrevistadas no livro Encontros de Vida. Para ela, idade não é empecilho para continuar produzindoA sociedade costuma fazer velhos. É preciso parar com isso. Foi com esse pensamento que a psicanalista carioca Zélia Goldfeld iniciou a produção do recém-lançado Encontros de Vida, pela Editora Record. Mais de 30 depoimentos de personalidades e pessoas comuns estão contidos na obra. Meu interesse com o livro é poder mudar a impressão de que quando a pessoa entra na chamada terceira idade, é retirada da vida anuncia.
ReproduçãoA experiência de vida da escritora Raquel de Queiroz também está no livro
Tento mostrar o quanto ainda esses indivíduos podem produzir e o quanto querem fazê-lo, exclama Zélia. Segundo ela, mesmo estando na velhice, as pessoas desejam participar ativamente da sociedade, da política. Querem opinar sobre suas vidas, pois não é porque ficamos velhos que perde
mos nossos desejos. E, muitas vezes, podemos viver melhor do que vivíamos antes.
O livro conta com 34 depoimentos de pessoas a partir dos 60 anos. Foi um trabalho de dois anos, lembra a escritora. Entre os depoimentos estão os de personalidades conhecidas do público como Barbosa Lima Sobrinho, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Dercy Gonçalves, Evandro Lins e Silva, Raquel de Queiroz e Tomie Ohtake, entre outros. Psicanalista há 20 anos, Zelia conta que o peculiar do livro é que todos os entrevistados falam do passado, presente e de projetos futuros. Isso prova sua teoria sobre a terceira idade. É um verdadeiro registro da alma de cada um deles, destaca.


