Eles não são glamourosos como os dos cinema ou engraçados como os que estão na novela atualmente. E também não saem por aí mordendo pescoços para se alimentar de sangue. Mas é muito provável que você já tenha se deparado muitas vezes com um vampiro e se sentindo muito mal com isso: dor de cabeça, irritação, tristeza e uma angústia inexplicável. Portanto, vampiros existem.
Pelo menos é o que garantem os especialistas no assunto. Mas as opiniões divergem sobre essas criaturas. Para alguns estudiosos, eles podem ser definidos como as pessoas que sugam a energia das que estão por perto. Entretanto, na opinião de outros, não está totalmente descartada a existênciao ser morto-vivo que sai dos cemitérios na calada da noite. ''Não posso nem dizer que existem mas muito menos que não existem'', afirma Marcos Graminha, presidente da Sociedade Brasileira de Vampirologia.
Na avaliação de Marcos Torrigo, vampirólogo e autor do livro ''Vampiros'', esses seres atacam seus alvos em viagens astrais. ''Eles saem do corpo e sugam a energia de suas vítimas''. Os ataques na maioria dos casos são com pessoas de relações próximas. ''E esse vampiro pode ser uma pessoa viva ou alguém que já morreu.''
Vampiros do cotidiano ''Os vampiros reais não são tão espetaculares e sedutores como os do cinema, vivendo em castelos, mas atrapalham as relações do dia a dia'', garante a terapeuta holística e pesquisadora de bioenergias Vera Caballero, de 40 anos. Ela aponta que São Paulo é uma cidade propícia ao vampirismo.
Segundo ela, o vampiro suga o sangue, mas de maneira simbólica. ''Eles sugam a energia vital que move o ser humano''. E podem fazer isso inclusive através dos meios de comunicação, como telefone e internet.
De acordo com Vera, todas as pessoas, por mais equilibradas que sejam, já foram vampiras em algum momento, porque a vida é feita de troca de energia. ''Nós nos beneficiamos da energia do outro no dia que não estamos bem e vice-versa''. Mas esses casos não podem ser considerados problemáticos, na avaliação da estudiosa, porque é uma relação de dar e receber entre as pessoas.
Tipos O vampirismo se torna um problema quando se convive com parentes, amigos ou colegas de trabalho que apenas sugam a energia dos que estão por perto. Eles podem ser definidos como vampiros inconscientes. ''São pessoas tão desequilibradas, que cortaram o vínculo com a vida e por isso perderam a capacidade de se nutrir com as fontes naturais de energia que são a alegria, o prazer em fazer o que se gosta, o sexo e outras atividades'', argumenta Vera.
Sem a energia vital, essas pessoas tentam ''roubar'' a vitalidade das demais para se nutrir. Vera garante que é fácil reconhecer quando esses vampiros se aproximam. Os sintomas mais comuns são sensação de cansaço, de desvitalização, dor de cabeça, tristeza e muitos outros sintomas que dependem de cada um.
Os vampiros podem sugar energia pelo telefone e internet. ''Os meios de comunicação amplificam a energia e pode-se começar a sentir mal depois de ler um e-mail ou conversar ao telefone.''
No grupo dos inconscientes, existem ainda os vampiros sexuais. ''É quando, após a relação sexual, um dos parceiros se sente extremamente extenuado e desvitalizado''. A terapeuta explica que isso independe do relacionamento ser ou não feliz.
Apesar de nocivos, os vampiros inconscientes estão longe de serem os mais perigosos. Os mais devastadores não são os que sugam a energia, mas sim os que impedem que suas ''vítimas'' sigam o caminho que lhes traz felicidade.
Os exemplos desses vampiros que dificultam caminhos não faltam: pais que decidem a profissão de seus filhos ou maridos e esposas excessivamente ciumentos. O processo também é inconsciente. ''Com o tempo, os que são vampirizados vão perdendo a vitalidade porque deixam de fazer as coisas que davam prazer em suas vidas''.
Vera explica que os vampiros vão sempre atacar os pontos fracos de suas vítimas. ''Inconscientemente, as pessoas percebem a fraqueza das demais mesmo nas relações superficiais de trabalho''. Atacar esses pontos é uma maneira de desequilibrá-las para ficar mais fácil roubar energia.
Para entender isso, a estudiosa cita exemplos da novela ''O Beijo do Vampiro''. ''O vampiro Bóris (Tarcísio Meira) consegue matar seu desafeto Beto (Tiago Lacerda) ao seduzi-lo para o que ele mais queria que era uma grande oportunidade de trabalho que era o seu ponto fraco. Se fosse com uma mulher bonitona, o vampiro não conseguiria porque Beto era bem casado e apaixonado pela mulher.''
Contra-ataque
Os paulistanos ainda vivem em uma cidade favorável aos vampiros. Isso porque a capital está longe da natureza, que recicla as energias. Os alimentos já chegam desvitalizados e as pessoas têm pouco tempo para tomar sol. Além disso, o metrô é o lugar onde mais se pode atrair um vampiros. ''É um transporte subterrâneo e as pessoas já estão irritadas de estar lá dentro.''
Existem algumas receitas para combater vampiros. Vera recomenda que, se possível, se corte o vínculo com o vampiro. Em caso de relações de trabalho, o jeito é tornar a figura do vampiro patética e não se incomodar com as suas estratégias.
Cristais e banhos podem ajudar. Outra alternativa são florais à base de alho, flor de São Miguel e incenso para tomar ou borrifar no ambiente. Os gráficos de radiestesia também podem ajudar. ''O principal é estar bem com você mesmo.'' (M.C.)
Serviço
Sociedade Brasileira de Vampirologia: www.sbvamp.hgp.com.br
Vera Caballero: [email protected]

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