Nestes tempos em que protetores solares tomam lugar de destaque em corpos expostos ao sol com intensidade, uma questão vem à tona: pessoas de pele negra devem lançar mão dessa proteção? ‘‘A maior resistência ao sol é uma das características da pele negra que, no entanto, também precisa da proteção solar’’, diz a dermatologista Vera Cristina Schnitzler, que indica para esse tipo de pele o uso de produtos com fator de proteção solar entre 8 e 15, sempre considerando o horário e o tempo de exposição ao sol.
Segundo a médica, também professora do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL), negros têm maior capacidade de produzir melanina, que funciona como um filtro natural protegendo a pele da radiação solar.
Devido a maior presença do pigmento melanina, a pele negra tem capacidade de absorver 34% mais energia solar do que a pele clara. Esta peculiaridade faz com que a pele negra apresente reduzida incidência de câncer.
A dermatologista explica o carcinoma basocelular, que corresponde a 70% dos tipos de câncer de pele, é quatro vezes mais comum em pessoas de pele clara. Outros tipos de câncer de pele são o carcinoma espinocelular (20%) e o melanoma (6%), o menos comum.
Manchas A proteção da melanina confere outra característica aos negros: deixa a pele mais lisa porque envelhece menos. Ela é também mais firme e resistente porque sua camada superficial é mais espessa. Mas, se traz benefícios, a maior capacidade de produzir pigmentos apresenta também aspectos negativos como a tendência a manchar a pele. Isto porque a melanina tende a escurecer em regiões que venham a sofrer qualquer agressão. Como exemplo, a dermatologista cita a picada de insetos ou o surgimento de espinhas que podem manchar a pele após processo inflamatório.
Vera Schnitzler destaca que pela maior tendência de formar manchas, peelings químicos ou mecânicos e tratamentos com laser são contra-indicados em pessoas de pele negra. ‘‘Estes procedimentos podem destruir os melanócitos (células que produzem o pigmento cutâneo) de forma irreversível em negros e morenos escuros, deixando manchas, o que raramente acontece em pessoas mais claras. Ela observa ainda que procedimentos como cauterizações e cirurgias devem ser feitos com cautela pela tendência ao aparecimento de manchas e alterações na cicatrização.
Pêlo encravado Glândulas sebáceas maiores e mais numerosas produzem uma maior tendência à oleosidade facial em pessoas de pele negra. A pele do corpo, contudo, tende a ser mais seca. A indicação da médica neste caso é a utilização de um sabonete mais suave; banhos com água morna a fria e, às vezes, utilização de um hidratante, sobretudo no inverno.
Pessoas de pele negra têm os pêlos mais fortes e encurvados, por isso tanto homens quanto mulheres são bastante atingidos por pêlos encravados. Segundo a médica, um barbear muito rente produz células mortas que obstruem a saída do folículo. Uma boa esfoliação pode facilitar a saída do pêlo. ‘‘É importante também hidratar a área’’, observa ela. Em casos mais intensos, é necessária a utilização de antiinflamatórios e, às vezes, suspender a depilação.

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