Chegar à maioridade com um diploma nas mãos sempre foi o sonho do jovem brasileiro, garantindo assim sua ascensão profissional e independência. No entanto, com um mercado de trabalho inflado e exigente, não basta ter um diploma, é preciso também ter experiência e competência. Tão díficil quanto entrar na faculdade, é sair dela com um emprego garantido e bem remunerado. Apesar das dificuldades, a garotada quer mesmo prestar vestibular, frequentar o curso escolhido e só se preocupar com emprego depois de concluir a faculdade. Nas classes privilegiadas, é claro, que têm condições de manter os filhos estudando de 4 a 10 anos, dependendo do curso e da especialização escolhidos.
Dentro desse contexto, em que o ensino universitário representa o ‘‘sonho de consumo profissional’’, a escola técnica sempre foi vista como uma alternativa para alunos pobres e de pouca instrução, que necessitavam entrar precocemente no mercado de trabalho. Segundo o professor Francisco Aparecido Cordão, do Conselho Nacional de Educação, toda a historia do ensino profissional brasileiro sempre foi pensada como obra de benemerência social, para atender as classes menos favorecidas. ‘‘Essa é a herança do nosso passado colonial, escravocrata, que carregamos e continuamos a carregar’’, diz.
Agora, o Conselho quer acabar com esse mito. Para tanto, instituiu as novas Diretrizes Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico, que começaram a vigorar desde janeiro deste ano. O novo ensino profissional foi dividido em 20 áreas, mas as escolas poderão propor outras de forma experimental, para serem aprovadas pelo MEC.
Alternativa Defendendo o mesmo ponto de vista de Francisco Cordão, a socióloga com pós-graduação em gestão de empresas, Silvia Cruciol, diretora de duas escolas em Londrina, uma de primeiro grau e outra técnica – Centro de Educação Profissional Lume – diz que quem procura um curso profissional hoje, está cada vez menos em busca de um diploma e, sim, em busca de conhecimentos para exercer uma profissão. Segundo ela, o conhecimento será sem dúvida o diferencial tanto entre as pessoas que estão empregadas ou que já têm seu próprio negócio como as que estão à procura. ‘‘Os cursos técnicos são uma alternativa para se obter cada vez mais conhecimento, primeiro porque são de curta duração (1 ano e meio). E, o que é mais importante, possuem o foco do conhecimento necessário para o exercício de uma profissão’’, argumenta.
Para a socióloga, os jovens têm muito potencial e talento, mas é preciso descobrir essas habilidades para aproveitar as oportunidades e saber correr riscos. ‘‘As profissões estão mudando, e a pessoas têm que estar preparadas para mudar de ocupação, ser empreendedoras, pois mercado de trabalho quer profissionais que possam exercer múltiplos papéis. Não quer especialistas em uma única área. E os cursos técnicos, muito mais que um diploma, oferecem conhecimento e atualização, agregando mais valor à mão-de-obra’’, argumenta. Outra vantagem é que o aluno pode iniciar o curso técnico mesmo que esteja no 3º ano colegial. ‘‘Entre nossos alunos temos empresários, funcionários de empresas de diversos setores, estudantes do curso médio e até mesmo já graduados’’, afirma Sílvia Cruciol.
O Centro de Educação Profissional Lume oferece atualmente cursos pós-médios de Gestão de Empresas e Publicidade e Propaganda, ambos com módulos complementares opcionais em Marketing e Secretariado, com aulas às segundas, terças, quartas e quintas-feira, das 19h15 às 22h45. Em agosto serão acrescidos mais dois módulos, de Hotelaria e Turismo. Criada há dois anos, a escola possui um site – www.celume.com.br – para pesquisa. Outras informações pelo fone 336-3370. •

mockup