Valorização do ensino técnico
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quinta-feira, 25 de maio de 2000
Angela Raizer Barbosa 
Chegar à maioridade com um diploma nas mãos sempre foi o sonho do jovem brasileiro, garantindo assim sua ascensão profissional e independência. No entanto, com um mercado de trabalho inflado e exigente, não basta ter um diploma, é preciso também ter experiência e competência. Tão díficil quanto entrar na faculdade, é sair dela com um emprego garantido e bem remunerado. Apesar das dificuldades, a garotada quer mesmo prestar vestibular, frequentar o curso escolhido e só se preocupar com emprego depois de concluir a faculdade. Nas classes privilegiadas, é claro, que têm condições de manter os filhos estudando de 4 a 10 anos, dependendo do curso e da especialização escolhidos.
Dentro desse contexto, em que o ensino universitário representa o sonho de consumo profissional, a escola técnica sempre foi vista como uma alternativa para alunos pobres e de pouca instrução, que necessitavam entrar precocemente no mercado de trabalho. Segundo o professor Francisco Aparecido Cordão, do Conselho Nacional de Educação, toda a historia do ensino profissional brasileiro sempre foi pensada como obra de benemerência social, para atender as classes menos favorecidas. Essa é a herança do nosso passado colonial, escravocrata, que carregamos e continuamos a carregar, diz.
Agora, o Conselho quer acabar com esse mito. Para tanto, instituiu as novas Diretrizes Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico, que começaram a vigorar desde janeiro deste ano. O novo ensino profissional foi dividido em 20 áreas, mas as escolas poderão propor outras de forma experimental, para serem aprovadas pelo MEC.
Alternativa Defendendo o mesmo ponto de vista de Francisco Cordão, a socióloga com pós-graduação em gestão de empresas, Silvia Cruciol, diretora de duas escolas em Londrina, uma de primeiro grau e outra técnica Centro de Educação Profissional Lume diz que quem procura um curso profissional hoje, está cada vez menos em busca de um diploma e, sim, em busca de conhecimentos para exercer uma profissão. Segundo ela, o conhecimento será sem dúvida o diferencial tanto entre as pessoas que estão empregadas ou que já têm seu próprio negócio como as que estão à procura. Os cursos técnicos são uma alternativa para se obter cada vez mais conhecimento, primeiro porque são de curta duração (1 ano e meio). E, o que é mais importante, possuem o foco do conhecimento necessário para o exercício de uma profissão, argumenta.
Para a socióloga, os jovens têm muito potencial e talento, mas é preciso descobrir essas habilidades para aproveitar as oportunidades e saber correr riscos. As profissões estão mudando, e a pessoas têm que estar preparadas para mudar de ocupação, ser empreendedoras, pois mercado de trabalho quer profissionais que possam exercer múltiplos papéis. Não quer especialistas em uma única área. E os cursos técnicos, muito mais que um diploma, oferecem conhecimento e atualização, agregando mais valor à mão-de-obra, argumenta. Outra vantagem é que o aluno pode iniciar o curso técnico mesmo que esteja no 3º ano colegial. Entre nossos alunos temos empresários, funcionários de empresas de diversos setores, estudantes do curso médio e até mesmo já graduados, afirma Sílvia Cruciol.
O Centro de Educação Profissional Lume oferece atualmente cursos pós-médios de Gestão de Empresas e Publicidade e Propaganda, ambos com módulos complementares opcionais em Marketing e Secretariado, com aulas às segundas, terças, quartas e quintas-feira, das 19h15 às 22h45. Em agosto serão acrescidos mais dois módulos, de Hotelaria e Turismo. Criada há dois anos, a escola possui um site www.celume.com.br para pesquisa. Outras informações pelo fone 336-3370.


