Vaidade por um fio
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quinta-feira, 22 de abril de 2004
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
Queda de cabelo é mais comum do que se imagina. Estima-se que cerca de 30% das mulheres manifestem o problema até os 50 anos de idade. Segundo especialistas, a perda diária de 50 a 100 fios é considerada normal. Porém, quando percebe-se uma grande quantidade espalhada pelo chão, nas roupas, toalha ou travesseiro, é preciso buscar tratamento.
Apesar de não ser tão conhecida, a calvície em mulheres ou Alopecia Androgenética Feminina é bem frequente. Segundo o último congresso da Academia Americana de Dermatologia, 79% delas apresentam algum grau de perda capilar por predisposição genética. ''Hoje, se tem um índice maior do problema porque se fazem mais diagnósticos. As pessoas estão mais atentas, pois a estética tem um valor importante atualmente. A falta de cabelo dá um aspecto envelhecido à pessoa'' observa a dermatologista Jorgete Merrid Carrilho.
De acordo com ela, a calvície se manifesta de forma diferente na ala feminina. O DHT, um subproduto da testosterona, é o responsável pela miniaturização do folículo piloso. E a mulher, além de ter uma quantidade menor de testosterona, é menos sensível a ela. O problema, entretanto, pode ter graus variados de intensidade, dependendo da genética de cada uma: ''Algumas sentem que o cabelo fica mais fino e ralo; em outras, há exposição do couro cabeludo'', explica Jorgete. O tratamento, feito à base de inibidores de androgênios, vai bloquear a ação do DHT no folículo piloso.
Fatores emocionais Mas, além do fator genético, as causas da queda de cabelo podem ser orgânicas: diabetes, hipotireoidismo, câncer e doenças hepáticas costumam desencadear o problema, que pode surgir ainda após doenças febris, pneumonias, cirurgias e emagrecimentos à base de dietas radicais e uso de fórmulas. Segundo a dermatologista, nesses casos, como não existe destruição do folículo piloso, em seis semanas os pêlos crescem novamente.
''Sempre investigamos se há alguma deficiência nutricional. É muito comum haver carência de ferro nas mulheres. E quando isso é corrigido, a queda costuma melhorar'', afirma ela, esclarecendo que tinturas, alisamentos, escova e chapinha não são tão vilões como se imagina, pois não interferem no folículo; os estragos acontecem apenas nos fios.
A queda de cabelos pode também ter causas exclusivamente psicológicas. Caracterizada pela perda localizada de fios, a alopécia areata (mais conhecida como ''pelada'') está geralmente ligada ao estresse, seja ele agudo ou crônico. Os motivos mais comuns, segundo a dermatologista, são a perda do cônjuge, o impacto emocional causado pela descoberta de uma doença grave e ainda, dificuldades econômicas. ''É muito frequente descarregar o estresse na pele, que é um órgão de choque. É como o estômago. Ao invés de ter uma úlcera, a pessoa desenvolve uma alopécia. Tem menos complicações, é mais fácil de tratar, mas talvez incomode mais porque está à vista de todos'', argumenta.
Crianças Outras vítimas frequentes da alopécia areata são as crianças. O problema geralmente é motivado pelo distanciamento dos pais ou pela extrema timidez, o que acaba dificultando o convívio social. ''Sempre existe alguma tristeza por trás da doença. As crianças ainda não conseguem metabolizar as emoções e os adultos não dão conta de todos os desagravos do dia-a-dia'', observa .
No tratamento, o suporte emocional é indispensável. ''Sempre indicamos o acompanhamento de psicoterapia'', diz Jorgete. Massagem para estimular a circulação sanguínea local é um dos recursos utilizados, assim como infiltrações (injeções com substâncias que estimulam o nascimento de pêlos). ''Como é dolorido, só é interessante para regiões pequenas e em último caso'', justifica.
De forma geral, as substâncias usadas vão reagir no processo inflamatório que causa a alopécia. ''Não existe uma droga específica para a queda de cabelo. Geralmente, é um tratamento prolongado. Os primeiros fios que nascem são brancos e mais finos, só vão normalizando aos poucos. O processo demora meses e exige paciência''. n


