Uma equipe de pesquisadores norte-americanos está elaborando uma vacina terapêutica contra o melanoma, um tumor da pele particularmente grave e em progressão constante na maior parte do planeta.
Os resultados mais completos até o momento sobre esse tipo de teste, realizado na Califórnia pelo professor Donald Morton (Saint John Hospital-Santa Mônica) com esta futura vacina, foram apresentados em Paris, onde foi realizado semana passada o VII Congresso Internacional sobre Tratamentos Anticancerígenos.
Nesse centro - um dos mais importantes do mundo, que acolheu no ano passado mais de 650 doentes afetados por esse tipo de câncer -, o professor Morton e sua equipe fabricaram uma vacina que, entre os pacientes cujo sistema imunológico responde às estimulações, aumenta em dez vezes a sobrevida dos doentes em relação aos pacientes submetidos ao tratamento tradicional.
Para estes últimos, a sobrevida não supera os 7 meses e meio - prazo que se mantém constante há 25 anos - e, segundo os especialistas, somente 5 % dos doentes continuam vivos ao final de cinco anos.
Comparativamente, os pacientes que reagiram à vacina conseguiram uma sobrevivência média de 70 meses e, ao final de 5 anos, segundo o professor Morton, 60% deles continuam vivos. Só a cirurgia permite, nos casos mais avançados da doença, duplicar a sobrevida, que passa para 16-18 meses e deixa de 10% a 20% de sobreviventes ao final de cinco anos.
O melanoma, cuja frequência aumenta de 4% a 7% por ano segundo os países, é um tumor frequentemente curável pela cirurgia, desde que seja tratado de forma prematura. Ao contrário, caso se desenvolva e, através do fluxo sanguíneo invada outras partes do corpo (metástase), torna-se extremamente perigoso.
No entanto, o melanoma também pode regredir espontaneamente, sem razão aparente, até a cura total.
Foram exatamente estas curas espontâneas que estimularam os pesquisadores a investigar uma eventual vacina. ‘‘Dissemos a nós mesmos que provavelmente ocorria um estímulo do sistema imunológico que ordenava ao organismo do doente a fazer uma rejeição do tumor; buscamos como era possível desencadear de forma artificial esta reação imunológica’’, explica o professor Morton.
Após várias tentativas, os norte-americanos identificaram 16 antígenos diferentes associados ao melanoma e suscetíveis de constituir os objetivos da vacina. Esta última, uma mistura de células irradiadas, provenientes de três séries de pacientes, foi administrada aos afetados pelo melanoma após a cirurgia. Graças a essa preparação, a equipe norte-americana conseguiu melhorar consideravelmente a média de sobrevida dos doentes.
Um teste em grande escala dessa vacina será realizado em breve em centenas de pacientes em cerca de 50 centros da Europa e dos Estados Unidos, informou o presidente do Congresso, professor David Khayat.

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