Vá com calma nos mimos
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Animais de estimação exigem atenção. Banhos semanais, coleiras para passear, uma cama ou casinha e uma ração de boa qualidade são cuidados básicos que um proprietário consciente tem com seu bichinho. Mas, cada vez mais os animais são tratados como gente e o mercado PET traz diversas opções de produtos e serviços para humanos que foram adaptados para cães e gatos. Banhos de ofurô, manicure, sapatinhos, meias e até carrinhos especiais foram desenvolvidos para levar os cães para passear. Mas, o excesso de mimo e cuidados faz bem ao animal? Até que ponto é saudável para o bichinho que o dono invista tanto nestes tipos de produtos e serviços?
De acordo com a médica veterinária Rosemari Cianca, existe uma predisposição dos clientes em exagerar nos mimos com o animal. Ela explica que o processo de humanização dos cachorros é complicado porque alguns animais deixam de ter um comportamento saudável, já que todas as pessoas da casa ficam em função dele. ''No começo as pessoas acham bonitinho tratar o animal como gente, mas a longo prazo este comportamento se torna prejudicial'', explica. Conforme ela, os distúrbios de comportamento são a principal consequência - nestes casos, o animal fica agressivo se for contrariado.
A humanização acaba estressando o bicho e, por conta disso, ele pode desenvolver doenças - problemas de pele são bastante frequentes. A veterinária explica que a natureza dos cães é viver em matilha e obedecer um líder. ''Na casa sempre tem uma pessoa que o cachorro respeita mais, este é o líder'', destaca. Quando o animal é extremamente mimado e ninguém se opõe às suas vontades, ele assume o papel de liderança e passa a não obedecer ninguém. ''É importante estabelecer a liderança ou o cachorro terá um comportamento dominante com as pessoas da família'', alerta.
De acordo com a veterinária, alguns produtos que parecem frescura são realmente necessários para alguns animais. ''Os banhos de ofurô são usados como terapia em situações especiais. Eles apresentam um bom resultado quando o animal é muito elétrico e melhoram os quadros de dor, quando o cachorro tem algum problema na articulação'', ressalta. No entanto, utilização de chapinha, esmaltes e alisamento no pelo não são indicados.
Sobre os carrinhos para passear com cachorros, que estão em destaque por conta da novela ''Salve Jorge'', a veterinária pontua que em geral eles não são recomendados porque limitam o processo natural de caminhar do cachorro. No entanto, o carrinho pode ser uma boa opção no caso de cães que estão impossibilitados de caminhar por conta de algum problema de saúde.
Óculos de sol e bonés também são vistos com cautela pela veterinária. ''De modo geral eles são supérfluos, a não ser que o animal tenha fotofobia ou algum problema de vista que seja piorado pela luminosidade em excesso'', ressalta.
Há produtos que chegaram aos pet shops com uma proposta decorativa, mas acabaram ganhando uma função real. Este é o caso dos sapatinhos usados por alguns animais nos passeios em dias de chuva e por outros nos passeios diários. ''O sapato reduz as vias de contato do animal com a sujeira do chão. Isso é valorizado, principalmente, pelos donos que moram em apartamento'', ressalta.
A veterinária acrescenta que cachorros precisam ser tratados como cachorros. ''Antes de comprar qualquer acessório ou contratar serviço para o animal, o dono deve se perguntar se aquilo é realmente necessário e se o bicho está precisando daquilo.''


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