O Carnaval é a festa popular de maior sucesso no Brasil. São quatro dias de pura folia e também muitas extravagâncias. Entre as mais perigosas estão o consumo excessivo de álcool e a neglicência no uso de preservativos durante as relações sexuais que, segundo pesquisas, aumentam durante o Carnaval. A prova disso é que nove meses depois, cresce significativamente o número de partos.
Esse dado leva a um outro também bastante preocupante: movidos pela euforia, os jovens se esquecem de usar a camisinha.
A médica infectologista Adriana Georgeto, informa que as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) costumam aumentar muito durante Carnaval. ‘‘Principalmente a Aids e a Hepatite B, ambas com contágio através da relação sexual e do uso de drogas injetáveis’’, esclarece. Segundo ela, as pessoas precisam se conscientizar de que a Aids está sob controle, mas ainda não tem cura. ‘‘Não se pode fazer o diagnóstico se uma pessoa é portadora ou não do vírus pelo olhar, pois hoje em dia, a Aids não tem mais cara do Cazuza, como muitos ainda pensam’’, adverte.
A infectologista reforça que a única forma de evitar a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis é o uso da camisinha. ‘‘O cantágio ocorre através de sexo vaginal, anal e oral, além do compartilhamento de seringa, no caso de drogas’’. A médica lembra que o contágio da Aids está aumentando na população heterossexual e bissexual, principalmente, nas idades entre 20 a 50 anos. ‘‘É bom saber que, atualmente, não não existe mais grupo de risco. Todos que praticam sexo sem segurança correm riscos de contrair a Aids’’, observa.
Adriana Georgeto informa ainda que o vírus da Hepatite B tem 20 vezes mais chances de contágio que o da Aids. ‘‘Quando se torna crônica, essa patologia pode causar cirrose e também o câncer de fígado’’, informa. Ela lembra que o governo está fornecendo vacina contra a Hepatite B a crianças e jovens, gratuitamente, nos postos de saúde. ‘‘Daqui a algum tempo, poderemos estar livres dessa doença’’, estima a médica.
Sobre a Hepatite C, a infectologista explica que uma das formas de contágio é o uso partilhado de seringa. ‘‘Ainda não está comprovado que é ela é transmitida via sexual. Se não for tratada também pode levar à cirrose e ao câncer de fígado’’, informa.
A médica ressalta ainda que além dessas patologias, existes outras DSTs como, por exemplo, HPV, sífilis e gonorréia, que também podem ser transmitidas caso não se faça sexo seguro. Durante este Carnaval, o governo vai distribuir gratuitamente oito milhões de camisinhas, portanto, não há motivo para não usar. ‘‘É sempre bom lembrar que além das DSTs, o uso do preservativo evita a gravidez indesejada’’, reforça a médica.
A infectologista Adriana Geogerto observa que, de acordo com dados de março de 2001, Londrina é a 38º cidade do Brasil com número de pessoas com Aids, ou seja, que já apresentam os sintomas da doença. ‘‘Para cada 100 mil londrinenses, 20,2% estão com Aids’’, informa a médica. Por isso, o cuidado não deve se restringir somente aos quatro dias de Carnaval, mas aos 365 dias do ano.

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