Imagine um mundo sem trigo, centeio, cevada e aveia. Estes quatro cereais são a base de muitos pratos deliciosos, mas não podem fazer parte da vida das pessoas celíacas. De influência genética, a doença celíaca – que afeta cerca de 1% da população – é caracterizada como uma alergia ao glúten, substância presente nos grãos citados acima. A única maneira de driblar o problema é eliminando estes alimentos da dieta diária.
A insistência em consumir produtos inadequados pode até mesmo levar o celíaco a um choque anafilático e provocar a morte, alerta a nutricionista Lilian Denise Lourenço. Segundo ela, a intensidade dos sintomas varia de uma pessoa para outra, mas a cada contato a reação do organismo se torna mais intensa.
Os sintomas são caracterizados por diarreia crônica, gases, distensão abdominal e baixo peso. Nas crianças, a presença de vômito e a baixa estatura também podem ser indicativos do problema. Para diagnosticar a doença celíaca é preciso fazer uma endoscopia com biópsia duodenal e exame de sangue que analisa anticorpos específicos. ''O diagnóstico é feito pelo gastroenterologista e o primeiro passo é iniciar um tratamento com medicamento antialérgico para reverter o quadro'', explica a nutricionista.
A dieta também deve ser mudada e mantida – este, geralmente, é o maior desafio dos pacientes. Mas a recomendação não é impossível de ser cumprida, já que há bons alimentos que podem substituir os cereais com glúten. A nutricionista afirma que a farinha de arroz e a fécula de batatas substituem a farinha de trigo. As raízes, como mandioca e mandioquinha salsa, também podem ser utilizadas. ''Hoje há muitas opções de produtos especiais para celíacos nos supermercados'', destaca Lilian.

Intolerância
Algumas pessoas não possuem a doença celíaca, mas são intolerantes ao glúten. Para este grupo, os sintomas aparecem de forma mais branda, com o organismo apresentando dificuldade na digestão e metabolização dos alimentos. Nestes casos, a intensidade das reações está relacionada à quantidade e frequência do consumo de glúten. Dores de cabeça, gases, dores articulares e distensão abdominal são sintomas comuns de quem apresenta a intolerância, por isso a mudança da dieta também é necessária.
Mas, diferentemente dos celíacos, a alteração da dieta não precisa ser feita de maneira radical. No entanto, uma vez iniciada é interessante que seja mantida. ''A pessoa leva de três meses a um ano para se sentir melhor após a mudança da alimentação'', salienta a nutricionista. Lilian diz ainda que, como a intolerância e a doença celíaca acometem o intestino, elas estão diretamente relacionadas ao bom funcionamento do sistema imunológico.
Algumas pessoas adotam a dieta sem glúten com objetivo de reduzir peso, mas a nutricionista alerta que a alternativa não é indicada, já que os alimentos substitutos possuem o mesmo aporte calórico. ''O glúten é uma proteína vegetal que nos fornece energia. Por isso, precisa ser substituído pelos tubérculos, que possuem a mesma função'', argumenta.

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