Duas horas da tarde. Os corredores da pediatria do Hospital Universitário adquirem outra atmosfera. As risadas abafam o choro, o colorido das roupas interfere no branco hospitalar, bolhas de sabão flutuam pelas camas. É neste cenário que os ‘‘doutores-palhaços’’ chegam ao hospital para suas visitas mais que esperadas.
Logo no primeiro quarto, duas meninas ouvem a música que a Drª Azula ensina toda compenetrada: ‘‘Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó. Tum, tum. Acabei de nascer e soltei um pum’’. As crianças aprendem rapidinho e saem cantando pelos corredores. Todos são alvo de suas brincadeiras. ‘‘Você tem minhoca?’ ‘‘Oh, eu tenho aqui’’, diz a Drª Azula a uma auxiliar de enfermagem, mostrando uma minhoca de madeira, agarradinha ao bolso.
Nos corredores sempre apinhados do Hospital Universitário, infalivelmente, todas as terças e quintas-feiras, os ‘‘doutores-palhaços’’ interferem no cotidiano do hospital. Drª Azula exclama sorridente ao ver um grupo de médicos entrar na pediatria: ‘‘Nossa, que corpo médico!’. Neste clima, pessoas em cadeiras de rodas correm o risco de ser multadas por estacionamento em local proibido.
O palhaço Escova exclama: ‘‘A senhorita tem namorado? Quer namorar com meu irmão?’, e mostra uma foto de um sujeito magrinho, magrinho, com nariz vermelho. A menina imediatamente cai na gargalhada. Mas, dependendo da gravidade da doença, a reação diante dos doutores é inexistente, a criança mal olha ou mexe a cabeça.
De olhar brilhante e atenta ao tratamento semanal, uma auxiliar de enfermagem revela: ‘‘As crianças ficam perguntando: ‘Tia, é hoje que eles vêm?’. Quando as crianças voltam ao hospital para controle, querem rever os palhaços. Em casa, elas colam o adesivo da trupe na geladeira para eternizar aqueles breves encontros.

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