Uma relação necessária
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2000
Celso Mattos 
A tão esperada noite de Natal está chegando. Para as crianças, sem dúvida, é a noite mais feliz do ano. O clima de festa e de alegria contagia a todos, mas é a chegada do Papai Noel com um saco cheio de presentes que mais povoa o imaginário das crianças. Um mito que há milhares de anos se mantém vivo nas fantasias infantis.
Por carta, telefone ou pessoalmente, as crianças pedem ao bom velhinho o presente tão sonhado. Entretanto, muitos pais se questionam se é correto deixar o filho acreditar em algo que não existe, ou será que existe? Para a psicóloga Sonia Maria Petrocini, professora do Departamento de Fundamentos de Psicologia e Psicanálise, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o Papai Noel existe como mito. E mito não é uma mentira, observa ela.
Papai Noel é uma figura que pertence ao campo do imaginário, assim como os personagens da mitologia grega. Mas também existe no campo da realidade, portanto, precisamos preservar os dois. Quando falamos de Papai Noel para uma criança, não estamos contando uma mentira para ela. Estamos falando de uma verdade social que se constrói através dos ritos sociais. Mas é importante evitar que esses ritos se tornem apenas rituais, afirma a psicóloga.
A professora ressalta que é fundamental deixar claro para a criança a diferença entre o real e o simbólico, mesmo que ela não entenda muito bem essa diferença no momento. Quando ela vê em uma loja ou shopping um homem vestido de Papai Noel, é importante dizer, aquele é um senhor fantasiado de Papai Noel. Com certeza, ela perguntará: mas onde está o verdadeiro? Neste caso, os pais devem dizer que o verdadeiro é alguém que não bebe, não come, não teve pai nem mãe, que não nasceu e que não morre. É alguém imaginário. A criança compreenderá, diz Sonia Petrocini.
Realidade e imaginação Segundo a psicóloga, esse personagem criado pela cultura e explorado pelo sistema capitalista exerce uma função importante no desenvolvimento da criança. Compreendendo a diferença entre realidade e imaginação, ela será um adulto que saberá lidar melhor com suas verdades, promessas e também com a lei, afirma.
Ela explica que a relação da criança com o Papai Noel vai depender muito de como os pais transmitem para o filho a existência desse mito. Devemos falar de Papai Noel como falamos sobre qualquer outro personagem cultural como, por exemplo, o coelhinho da Páscoa e o bicho-papão, exemplifica a professora.
De acordo com a psicóloga, esses instrumentos são recursos que podem ser usados pelos adultos para que a criança possa entender, dar sentido e significado às coisas de sua vida diária, passando a se posicionar na sociedade, seja em casa, na escola, na igreja ou em qualquer outro lugar. Ao se relacionar com o Papai Noel, a criança aprende a lidar com o medo, com o desejo e com o desconhecido. É uma relação diferente daquela que ela tem com os pais, avós e irmãos. Por esse motivo, é importante que a criança vivencie essa experiência que faz parte da infância, aconselha Sonia Petrocini.


