Uma relação delicada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de outubro de 2005
Ardilhes Moreira<br> Agência Estado 
Cada vez mais, entidades médicas e a sociedade buscam a receita para uma relação saudável entre médicos e pacientes. Por parte do médico, que no próximo dia 18 comemora seu dia, alguns itens exigidos são simplicidade e objetividade. Do paciente, cobram-se respeito e reconhecimento dos limites do especialista. Essas são algumas das indicações dadas pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).
Para quem vive a medicina cotidianamente, como Abrão José Cury Júnior, cardiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica/Regional São Paulo, encontrar as medidas exatas para o bom entendimento no consultório é essencial. ''O médico não tem o poder da água benta'', brinca. ''É necessária uma boa relação. O tratamento começa quando o paciente entra no consultório. É o primeiro item terapêutico. Se ele não se sentir ouvido, cortejado, já é um mau começo'', analisa.
Entretanto, muitas vezes o acúmulo de trabalhos, a falta de formação e de recursos não colaboram para que todos os profissionais tenham essa consciência.
Entre quem usa os serviços de uma clínica ou hospital, são poucos os que sabem da existência dos Direitos do Paciente, destacados no Guia da Relação Médico Paciente, do Cremesp. Além de tratamento digno e eficiente, alguns pontos ressaltam que o atendido tem sempre a possibilidade de questionar o profissional. De acordo com o Cremesp, o paciente não é indelicado quando pede a opinião de um segundo especialista sobre o seu problema ou quando exige um acompanhante em suas consultas. É até mesmo permitido fazer a gravação das informações para seguir o tratamento.
O caminho para uma boa relação inclui também algumas garantias essenciais para que o profissional exerça suas funções. Entre essas, o médico tem o direito de dedicar o tempo necessário a cada atendimento, evitando o acúmulo de atividades e pode também recusar atos que sejam contrários a sua consciência.
O Cremesp atua na prevenção de problemas de atendimento, mas é referência nos casos de denúncias e processos disciplinares. Advertências e até mesmo cassação do exercício profissional estão entre as medidas possíveis, no caso de o profissional ter cometido uma irregularidade ética. Entre as especialidades médicas com mais denúncias estão, pela ordem, ginecologia e obstetrícia, pediatria, ortopedia e traumatologia.


