Erica Shimamura
Reportagem Local

Existem muitas maneiras de comemorar o Natal, uma data que remete a diferentes significados, sentimentos e interpretações. Há quem não abra mão de passar o dia junto da família, festejando os reencontros e trocando presentes. Outros prefe­rem ir à igreja para assistir à Missa do Galo ou ao culto e ouvir as palavras do pastor. Algumas pessoas gostam de aproveitar a temporada de férias escolares e o calor para descansar em algum ponto turístico. E há também quem escolha investir um pouco de tempo para atividades de trabalho vo­luntário. A seguir, londrinenses contam como gostam de celebrar o Natal.


Aprendendo a dividir
A poucos dias do Natal, o casal dos empresários Ana Maria Tavares Daher e Rodrigo Daher reuniu brinquedos e roupas do fi­lho, Artur, 3 anos, para presentear crianças que vivem em bairros pobres da cidade. A entidade escolhida foi o Meprovi Pequeninos de Londrina, localizado na região Leste.
Na semana passada, 50 presentes, embalados um a um pela família, estavam prontos para ser entregues. "O Artur participou de todas as etapas. Separamos e embalamos os presentes juntos. Fui conversando com ele e expliquei que algumas crianças não recebem brinquedos no Natal", conta Ana Maria.
Na casa dos Daher não se fala em Papai Noel; o garoto sabe que são seus pais que compram os presentes. "Natal para mim é quando comemoramos o nascimento de Cristo, um tempo de ajudar o próximo e de dividir. Acho que o Artur está crescendo e sabendo o verdadeiro significado da data. Fico feliz ao perceber que ele entendeu superbem a iniciativa, em nenhum momento relutou em participar", revela a mãe, toda contente.
A entrega dos pacotes foi recebida com sorrisos largos e animação pelas crianças. Segundo a assistente social Simone Peres, do Meprovi, o que não for entregue para a garotada, já que os objetos doados são para crianças de zero a três anos, fará parte da brinquedoteca da instituição.

Memória afetiva
Para a artista plástica Letícia Marquez, de Londrina, a infância é uma referência importante quando se fala no nascimento de Cristo. "Natal me lembra cheiro de casa, de comida, flores, perfumes, bicos de papagaio, sabor de castanhas, frutas secas e o som de sinos", recorda.
Na casa-ateliê, ela recebe todos os anos os filhos, genros, noras, a mãe e os netos, para os quais faz questão de repetir os ri­tuais aprendidos na infância. "À meia-noite toco os sinos e um pouco antes explico para os pequenos o significado do presépio", diz. Em meio às inúmeras obras de arte espalhadas pela casa, a artista deu preferência a uma árvore simples, natural e com poucos enfeites. "Nunca gostei de árvores prontas e artificiais como os pinheiros europeus. Prefiro buscar o nosso espírito natalino e o verde natural brasileiro".
Letícia acredita que nesta época do ano a casa torna-se uma verdadeira instalação, incorporando o clima. "Antes da festa sinto uma tensão no ar, a iminência de que algo vai chegar. Por isso acredito que o Natal é toda essa preparação do antes, durante e também o depois, até 6 de janeiro, quando desmonto e guardo o presépio. É um período de encontro familiar, em que aflora o amor e uma sensibilidade diferente, e também uma vontade de convivência com os amigos queridos".

Natal em dobro
Depois do casamento, a designer Renata Pereira Santaella ganhou mais uma família para comemorar o Natal. "Meus pais e sogros moram em Londrina, então eu e meu marido ficamos sempre indecisos na hora de escolher onde passar a noite da festa", revela. Durante os 9 anos de namoro, a solução para o impasse era mais fácil. Ela e o namorado ficavam em casa com suas famílias e depois da meia-noite se encontravam. "Agora, depois de três anos de casada, é preciso combinar com antecedência como celebrar a data. Geralmente vamos para a casa da minha mãe primeiro e depois passamos na da minha sogra". No futuro, Renata gosta­ria de mudar essa situação. "Quando tiver filhos, penso em fazer a festa na minha casa, reunindo as três famílias", planeja.

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