Uma luta muito especial
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quinta-feira, 12 de julho de 2001
Chiara Papali 
A prática de atividade física é importante e necessária para qualquer pessoa durante toda a vida. Mas, para portadores de Síndrome de Down, um esporte pode significar mais desenvolvimento, independência, socialização e qualidade de vida. Estes são os objetivos do projeto Arte e Vida em Movimento com o Karatê, da Universidade Norte do Paraná (Unopar), que ensina karatê para 17 crianças e jovens com Síndrome de Down, com idade entre 6 e 32 anos. O projeto começou há cerca de dois meses, em Londrina, com a participação de integrantes da Apae, APS Down e Ilece. As aulas são gratuitas e acontecem todas as quintas-feiras, das 14h30 às 15h30.
De acordo com o professor de educação física Mário Molari, coordenador e idealizador do projeto, o karatê proporciona aos alunos benefícios como fortalecimento da musculatura respiratória, desenvolvimento motor, contribuição para a atenção visual, auditiva e tátil, além de melhorar a postura e o equilíbrio. E tudo isso traz também mais auto-estima, explica.
Comportamento A inspiração para o projeto veio do exemplo de dois irmãos, José Luiz Aparecido Flauzino, de 19 anos, portador de Síndrome de Down, e Fabrício Diniz Flauzino, de 16 anos. Há três anos e meio, a mãe, Marli Dinis Flauzino, matriculou os dois numa academia para praticar karatê, com o professor Molari. Nessa época, conta a mãe, José Luiz atravessou um período em que estava agitado e agressivo, e até precisou utilizar medicamentos para controlar o comportamento. Ele não podia ouvir um não. Sofri muito e segui o conselho de outras mães de encaminhá-lo para praticar um esporte, conta.
A adaptação de José Luiz às aulas, a mudança no comportamento e o convívio de igual para igual com os outros alunos, não passaram despercebidos pelo professor. Essa percepção o levou a querer levar o esporte para outros portadores de Down. Não existe dificuldade em lidar com portadores de Síndrome de Down, a aula é a mesma para qualquer aluno, afirma o professor.
Hoje, os dois irmãos já conquistaram a faixa verde, grau 5 no karatê, já participaram de diversos campeonatos, e ajudam nas aulas do projeto. No ano passado, num campeonato na própria Unopar, Fabrício ficou em primeiro, e José Luiz, em quarto lugar. Não perco a esperança de um dia ver eles em campeonatos internacionais, ou até mesmo nas Olímpiadas, conta a mãe. Mas, de acordo com ela, a vitória já chegou José Luiz, que era bastante tímido, não conversava com ninguém e ficava de cabeça baixa perto dos outros, hoje é outra pessoa, muito mais independente, tranquilo e sociável. Ele se sente muito valorizado, disse.
A diretora do Centro de Educação Especial Crescer, da APS Down, Neuza Soares de Sá, explica que os portadores podem e devem estar num grupo misto. A primeira pergunta de professores não especializados, quando se deparam com portadores da Síndrome de Down, é como vou tratá-lo?, mas é tudo uma questão de oportunidade, dos portadores poderem participar de um esporte ou de qualquer outra atividade e mostrar que eles são aptos, disse.
Ainda iniciante no esporte, Murilo Turbano, de 22 anos, está animado com a prática do karatê. A mãe dele, a dona de casa Maria Arlete Costa, de 69 anos, confirma: Ele já está querendo ensinar para o irmão, em casa, e eu estou achando ótimo, porque ele está mais tranquilo e até dormindo mais cedo, afirma.


