Uma ideia na cabeça
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quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Desde pequena, quando ainda morava no interior de Minas Gerais, a designer Graciella Starling já dava sinais de que seguiria uma carreira criativa. A mãe, não só incentivava, como também acabou, de certa forma, inspirando o caminho. "Ela mandava fazer chapéus sob medida para mim", conta Graciella, uma das grandes referências em alta chapelaria no Brasil.
"A Vogue a chamou de Philip Treacy de saias", explica Érica Romagnolli, londrinense que representa Graciella no Paraná. Descoberto e apadrinhado pela icônica editora Isabella Blow, o chapeleiro irlandês Philip Treacy vem há tempos fazendo a cabeça da realeza britânica e atrizes hollywoodianas. Era de Treacy o adereço usado por Camilla Parker Bowles no casamento com o Príncipe Charles.
Por conta do High Tea, evento beneficente que acontece na semana que vem em Londrina, Érica trouxe para a cidade parte do acervo de Graciella. Além de chapéus de aba longa, também vieram fascinators preferidos da princesa Kate Midleton e casquetes confeccionados em feltro, palha italiana e o crinol e sinamay, ambos importados da Europa.
"A chapelaria é um ofício de técnica, já o desenvolvimento é muito pessoal", explica Graciella, que já tinha uma técnica autoral quando embarcou para a Inglaterra, para estudar na London Fashion School. "Fui aprender em Londres", conta a designer. Apesar de trabalhar no universo da moda há cerca de oito anos, foi só em 2011 que ela abriu a grife homônima focada na alta chapelaria.
"Estamos num momento interessante", diz. "Arrisquei e trouxe um conceito novo", afirma a designer. Na última temporada de desfiles, as criações de Graciella estiveram nas passarelas da Têca por Helô Rocha e Patrícia Motta. Na apresentação da Têca na São Paulo Fashion Week, as estrelas com a assinatura da designer foram as viseiras, uma das apostas de Graciella para o verão. "Não atrapalha o cabelo, uma grande preocupação da brasileira."
Segundo a designer, "o jeito mais fácil de introduzir o adereço de cabeça é no casual", diz. "O chapéu de palha para praia é muito útil no Brasil, assim como o chapéu Panamá. Quer começar a usar chapéu, aposte nesses", ensina.
Se no casual, os chapéus vão para a praia e combinam com jeans, na alta chapelaria, Graciella lembra que o acessório pede "uma roupa mais pensada". "É um acessório de muita força, resgata feminilidade. Quem usa, não quer que caia no comum."
"Quando as pessoas me veem de chapéu, dizem 'ah, queria tanto usar'", conta Érica, que detectou uma brecha de mercado na cidade natal ao decidir voltar a morar em Londrina. "Nas capitais a aceitação ao chapéu é maior", diz. "A princesa Kate tem influenciado o uso", explica a representante.
Érica lembra que, por conta da predileção de Kate Middleton por fascinators, os pequenos adornos para cabeça ganharam as ruas por aqui. As casquetes também fazem parte do time e ficam entre os chapéus e os fascinators, em termos de tamanho.
"As pessoas estão se familiarizando. Aqui, o High Tea proporciona essa abertura", relata Érica, que lembra que para usar chapéu "é preciso atitude e se sentir à vontade". Quando decide por sair por aí com o acessório, ela, na maioria das vezes, escolhe primeiro o chapéu e depois a roupa. "Não há necessidade de ser a mesma cor da roupa, isso só vale para os casamentos reais", ensina.









