Depois dos nove meses de espera, finalmente o pimpolho chegou. A alegria parece não ter fim. Mas, para algumas mamães menos experientes, a euforia do encontro dura apenas até o primeiro choro do bebê. Como decifrar a estridente – e variável – melodia? É fome? Cólica? A fralda está molhada? E o que fazer na hora de amamentar, quando o leite não desce, o bico dos seios racha e a dor não dá tréguas?
Os cuidados da avó, sempre por perto nesses momentos, nem sempre resolvem os problemas e, principalmente, as dúvidas da maioria das mães de recém-nascidos, que congestionam os telefones dos pediatras angustiadas com situações que não justificam o alarme. ‘‘Elas ligam preocupadas, por exemplo, com o sono da criança, acham que ela está trocando o dia pela noite’’, conta o pediatra Edson Correia da Silva, esclarecendo que o recém-nascido dorme de 12 a 18 horas por dia, mas em intervalos irregulares. ‘‘Costumo pedir para as mães somarem quantas horas o bebê dormiu durante 24 horas. Depois de fazer isso, elas se tranquilizam’’, relata.
De acordo com ele, a crendice popular acaba colocando muita bobagem na cabeça das mães. Um exemplo clássico é a icterícia. Edson explica que é relativamente comum o bebê ficar com a pele amarelada durante alguns dias. Quando o problema é muito intenso, a recomendação é fazer fototerapia (banho de luz) no hospital. Mas, na maioria dos casos, a cor volta espontaneamente. A questão é que muita gente acredita em banho de picão (erva) para resolver o problema. ‘‘Não é uma sujeira para sair com banho’’, esclarece o médico.
Outra superstição, segundo Edson, é colocar uma linha enrolada na testa do recém-nascido para fazê-lo parar de soluçar. ‘‘O soluço é desencadeado por vários fatores, como mudança de temperatura, fralda molhada e arroto, que estimulam o nervo frênico e; consequentemente, o diafragma. Não incomoda a criança, apenas a mãe’’, observa o médico, decifrando o ‘‘enigma’’. ‘‘Basta colocar o bebê para sugar um pouquinho o peito que o soluço desaparece na hora’’, ensina.
Exames gratuitos Para tornar menos difíceis os primeiros dias de contato entre a mãe e o bebê, a Unimed de Londrina está oferecendo um serviço diferenciado. O programa Unibaby, lançado este mês, dá todas as orientações necessárias às mamães conveniadas, e o que é melhor: dentro de casa, poucos dias após o parto. Edson, que faz parte do Conselho Técnico da Unimed, explica que o serviço começa ainda no hospital, quando a mãe recebe a visita de uma assistente social, que vai falar sobre os exames, totalmente gratuitos, que devem ser feitos no Centro de Diagnóstico Unimed (CDU): os testes do pezinho ampliado e de audiometria (triagem acústica para checar alterações auditivas).
Aí, então, é agendada a visita domiciliar de enfermeiras, que trabalham no Serviço de Atendimento Domiciliar (DOM) da Unimed e têm vasta experiência com recém-nascidos, pois já atuaram em berçários. A conversa inclui orientações sobre banhos, vacinas, cólicas, aleitamento e limpeza do coto umbilical. ‘‘Elas também estão preparadas para esvaziar a mama das mães se necessário’’, diz o pediatra, observando que problemas de amamentação – bico rachado, mama túrgica e dificuldade de o bebê pegar o peito – atingem a maioria das mães, principalmente as de primeira viagem.
Foi o que aconteceu com a engenheira civil Joicy Machado Filetto, 30 anos, que apesar de ser mãe pela segunda vez, teve fissuras na mama. ‘‘Estou seguindo todas as orientações que me passaram’’, diz. Ela foi a primeira a ser atendida pelo programa Unibaby e soube, durante a visita das enfermeiras, que as bolinhas que surgiram na pele da pequena Maressa são absolutamente normais nessa fase. ‘‘Foi interessante porque, por mais que a gente tenha a experiência do primeiro filho, acaba esquecendo muita coisa. E tem muita novidade também. Não sabia sobre os exames gratuitos’’, conta Joicy, elogiando a cartilha do bebê, um dos itens do kit com bolsa, toalha, fraldas e lenços umedecidos que a mamãe ganha na visita das enfermeiras. ‘‘É bem didático e de fácil compreensão’’, define.
O Unibaby foi inspirado em um projeto da Unimed de Belo Horizonte, é oferecido para todos os planos da cooperativa e não tem custo adicional. Edson esclarece que se trata de uma ajuda extra ao trabalho do pediatra, mas não vem substitui-lo. ‘‘A primeira consulta deve ser marcada logo em seguida’’, informa.
Dica ternura
‘‘O bebê dá preferência ao seio esquerdo, pois é neste que ele escuta melhor o coração da mãe. Como o bebê deve mamar nos dois seios, leve-o da mama esquerda para a direita, sem virá-lo de posição. Lembre-se, a amamentação reforça os laços entre mãe e filho, pois é um momento de profunda intimidade entre os dois. Procure olhar nos olhos do bebê enquanto ele mama, você verá a resposta’’. (Trecho da Cartilha do Bebê)

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