Cleide Cavalcante
Agência Estado
Dos primeiros biquínis aos que hoje vemos em praias de todo o mundo, muita moda já passou. Assim como os modelos do verão 2000 seriam considerados verdadeiras aberrações no passado, o mesmo podemos dizer dos biquínis das primeiras décadas do século 20 na moderna Copacabana, por exemplo. Foi somente após a década de 30 que o traje de banho feminino ganhou uma versão em duas peças. No início, somente as garotas mais avançadinhas ousavam experimentar a novidade, que logo tomou conta das areias.
Em 1935, a Vogue francesa já anunciava o que seria a onda da próxima estação: um modelo duas peças em fibra de algodão e látex. No fim da década de 30, o estilista Henry a la Pensée desenhou uma coleção exclusiva do novo maiô de duas peças. Pouco tempo depois, a indústria colocava no mercado a helanca, matéria-prima básica dos primeiros biquínis de tecidos elásticos.
Mas por que o nome biquíni? Até que foi um nome criativo. Na verdade, foi uma homenagem ao Atol de Bikini, local onde os norte-americanos fizeram testes com bombas atômicas depois da Segunda Guerra Mundial. O lugar pertence à República das Ilhas Marshall, e está localizado a 3.500 quilômetros ao sul do Havaí. O francês Louis Reard era engenheiro mecânico de guerra e dono de confecção, e não deu outra.
Em 1946, já prevendo a ‘‘explosão’’ do duas peças, Louis Reard batizou o novo modelo com o nome do atol. Reard também soube fazer um bom trabalho de marketing. Vendendo a idéia de que o biquíni só tinha 70 centímetros e que, por isso, caberia dentro de uma caixa de fósforos, contratou a dançarina Micheline Bernardini para desfilar, trajando a novidade na piscina Molitor, às margens do rio Sena. Clicado pela imprensa, o biquíni causou grande furor na sociedade.
Mas até despontar forte no mundo da moda, o biquíni e, claro, suas adeptas, tiveram de enfrentar uma gigantesca barreira de preconceitos imposta pela ala conservadora e dominante da sociedade. O que começou a mudar com o lançamento de ‘‘E Deus Criou a Mulher’’, em 1956, cuja estrela principal era a sensual Brigitte Bardot. O resultado todo mundo sabe.
Nos anos 60, o biquíni tornou-se um dos símbolos da revolução sexual feminina. Foi a grande moda da década de 70, nas versões enroladinho e tanga. Nos anos 80, invadiu as praias brasileiras, a partir do Rio de Janeiro, com os modelos asa-delta e fio dental. Na década de 90, predominam os modelos em Lycra, fios de poliamida, que dão aparência de helanca; também fios de algodão com elastano e rayon. As últimas estações de verão também ressuscitaram as versões em crochê e tricô, os lacinhos e enfeites de miçangas, no melhor estilo ‘‘hippie moderno’’.Desde que foi lançado, na década de 40, o biquíni derrubou preconceitos, conquistou a aprovação feminina e imprimiu ousadia ao século XX
ReproduçãoO francês Louis Reard, que batizou o biquíni com o nome do atol onde estavam sendo realizados testes nucleares, depois da Segunda Guerra MundialA dançarina Micheline Bernardini, ‘‘garota-propaganda’’ do biquíni, que vestiu a novidade na piscina Molitor, às margens do rio Sena: furor na sociedadeUrsula Andress, em seu ‘‘bem armado’’ biquíni no filme ‘‘O Satânico Dr. No’’, da série 007: a peça foi um dos símbolos da revolução sexual feminina nos anos 60Nos anos 80, os modelos asa-delta e fio dental, além da prática do topless, invadiram as praias do Rio de JaneiroO microbiquíni de Karl Lagerfeld para Chanel, de 1995: versão sofisticada

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