Uma doença perversa
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quinta-feira, 26 de abril de 2001
Celso Mattos 
Pouco conhecida e dificilmente diagnosticada, a doença celíaca é altamente perversa porque impõe ao paciente uma dieta rigorosa. Quem sofre dessa patologia acaba sendo privado de todos os alimentos provenientes ou produzidos com cereais do tipo farinha de trigo, aveia, centeio e cevada. Para uma criança, por exemplo, signficará a proibição de consumir biscoitos, bolachas, pães, bolos, tortas, macarrão e muitas outras coisas.
A celíaca ocorre por sensibilidade ao glúten. É considerada uma reação auto-imune que causa dano ao intestino delgado, levando, na maioria da vezes, à desnutrição e suas consequências. Os danos causados no intestino levam à má absorção dos nutrientes pelo organismo.
O médico gastroenterologista Sérgio Ricardo Spinosa explica que a doença acomete a parte proximal do intestino delgado, mais precisamente o duodeno e o jejuno. A parte interna do intestino delgado possui vilosidades imagine o interior de uma caverna com estalactites penduradas o que a celíaca faz é atrofiar essas vilosidades (estalactites), deixando a mucosa do intestino careca (ver ilustração).
A doença ocorre em indivíduos geneticamente predispostos, que são pessoas com tendência a desenvolver um determinado anticorpo. Quando a criança nasce, o intestino delgado encontra-se normal, mas se ela tiver predisposição à patologia, quando a mãe desmamá-la e começar a introduzir alimentos à base de glúten na dieta da criança, as vilosidades do intestino começam a atrofiar, esclarece o médico.
Sintomas É quando começam a surgir os sintomas: aumento na frequência das evacuações, diminuição na consistência das fezes e mudança na coloração. Além disso, a criança pára de crescer e não ganha peso. Esses sintomas são indícios para que o pediatra suspeite e investigue a existência da celíaca, observa Sérgio Spinosa. O médico explica que de 30 crianças que apresentam o problema, sem que o mesmo seja diagnosticado e tratado, 29 vão se adaptar à ingestão desses alimentos, mas uma vai morrer.
Geralmente, quando a criança apresenta essa doença existem 15% de probabilidades de parentes de primeiro grau como pai, mãe, irmãos e avós também serem celíacos sem saber, já que a doença é pouco diagnosticada, informa o médico. Sérgio Spinosa diz que na França, de cada 2.500 crianças que nascem, uma é celíaca. No Brasil não temos estatísticas sobre a doença, mas vamos supor que seja a mesma porcentagem da França, nesse caso, se na região metropolitana de Londrina existirem 2,5 milhões de habitantes, 33 são celíacos, compara.
No adulto, a doença pode causar diarréia, anemia, alteração óssea e problemas de pele. Portanto, uma pessoa pode ter uma doença de pele ou de osso sem saber que a origem dela é a celíaca, pois o fato de o organismo deixar de ser sensível ao glúten, não significa que a doença desapareça, alerta.
Segundo Sérgio Spinosa, o diagnóstico pode ser feito através de uma endoscopia digestiva, que mostra que a mucosa do duodeno está careca. Entretanto, para um diagnóstico definitivo é preciso fazer uma biópsia do intestino delgado. Além disso, pode-se fazer uma dieta de exclusão do glúten. Se os sintomas desaparecerem num período de três a quatro semanas, é porque o indivíduo tem a doença, complementa o médico.
Atualmente existem no Brasil duas entidades a Associação dos Celíacos do Brasil (Acelbra) e a Associação dos Celíacos do Paraná (Acelpar), com sede em Curitiba. As duas possuem site na Internet que traz informações sobre a doença, relato de casos e receitas: (www.acelbra.org.br) e (www.acelpar.hpg.com.br).


