Com os mais diversos sintomas, ela aparece todos os meses para, pelo menos, mais da metade das mulheres. É a Síndrome Pré-Menstrual, popularmente conhecida como TPM - Tensão Pré-Menstrual. Irritabilidade, ansiedade, perda de memória, dor de cabeça, acne, agressividade e aumento de peso são alguns dos cerca de 150 sintomas já listados pela medicina. São esses sintomas que originaram a conhecida frase machista ‘‘ela deve estar naqueles dias’’, para justificar qualquer desentendimento com o sexo oposto. O que muitas pessoas não sabem ainda é que a TPM é uma doença - de acordo com o código internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS) - que pode ser perfeitamente controlada e banida do universo feminino.
Conforme o médico ginecologista João Bosco Borges, a intensidade da TPM, bem como os seus sintomas, variam de mulher para mulher. ‘‘São sintomas que antecedem ao período de menstruação. Em algumas pacientes podem surgir três ou quatro dias antes da menstruação, em outras,
ocorrem até 10 dias antes. E a TPM pode ser leve ou bem acentuada, de acordo com os sintomas’’, explica.
Desajustes conjugais Também não há como precisar a duração deste período, mas uma coisa é certa: os efeitos são surpreendentes e, em alguns casos, preocupantes. ‘‘Às vezes, os sintomas são tão exarcebados que impedem as mulheres de exercer suas atividades normais. A TPM pode ser responsável ainda por reprovações de jovens em escolas, desajustes conjugais cíclicos, perda de dias de trabalho e, com menos frequência, por tendências suicidas’’, revela Borges.
Falando um pouco mais sobre os sintomas, o médico acrescenta que, do ponto de vista neuroemocional, pode-se incluir também a insônia, perda de concentração e de memória, diminuição da capacidade produtiva e do rendimento intelectual. ‘‘Esses fatores são os que mais influenciam a mulher a procurar um médico. Muitas chegam no consultório afirmando que se desconhecem na fase pré-menstrual. Dizem que ficam chatas, brigam com os maridos, com os filhos e com os chefes e, no trabalho, ficam relapsas. Mas esta é uma fase; depois que passa, a mulher volta ao normal’’, explica o médico, completando com um raciocínio nada animador: ‘‘Toda mulher, em alguma fase da vida, terá TPM’’. No entanto, é mais comum após os 30 anos de idade.
Do ponto de vista digestivo, segundo o ginecologista, o que se observa neste período é uma digestão mais lenta, obstipação e gases. Na parte estética verifica-se aumento da oleosidade da pele e dos cabelos, retenção de líquidos e, com isso, aumento de peso. ‘‘Outro sintoma que muito incomoda é a dor mamária’’, completa.
A TPM interfere ainda na questão sexual. ‘‘Muitas mulheres perdem a libido, não têm desejo sexual. É nesta fase que mais surgem problemas entre os casais’’, enfatiza. Daí a necessidade de um bom entrosamento entre os parceiros, de forma que o homem saiba relevar as várias mudanças temporárias que acometem as mulheres durante esta fase.
Hormônios Mas, porque algumas mulheres têm TPM e outras não? Segundo o médico, o que causa a TPM é um desequilíbrio hormonal de uma forma geral. ‘‘Algumas pacientes são mais sensíveis a esta mudança e, assim, sentem mais’’, destaca. Alguns profissionais defendem a suspensão da menstruação para que a mulher não passe pela TPM. Borges acredita que este é um procedimento muito agressivo e que só deve ser utilizado nos casos extremos. ‘‘Um trabalho americano constatou que uma grande porcentagem de mulheres tem predisposição a tendências suicidas.
Também foi verificado que muitos crimes praticados por mulheres acontecem justamente nesta época, bem como as separações. Os maridos, geralmente, são colocados para fora de casa durante a fase de tensão da mulher. Nestes casos, a suspensão da menstruação poderia ser indicada’’, argumenta. Entretanto, Borges alerta que suspender essa variação do ciclo pode criar outros desequilíbrios. ‘‘Excluindo estas exceções, a tensão é tratável do ponto de vista clínico, com uma tática menos agressiva’’.
Algumas pesquisas, de acordo com o médico, revelaram que o fator genético pode influenciar no surgimento da TPM. ‘‘Algumas famílias repetem esse perfil. Há um certo consenso em perceber que a TPM tem uma predominância nos grupos metropolitanos, estressados’’, indica o ginecologista. Ele acredita que ainda são necessárias pesquisas para que se possa afirmar com certeza se a TPM é realmente uma doença da sociedade moderna.
Mudança de hábitos Para quem deseja livrar-se do tormento provocado pela síndrome, o primeiro passo a ser tomado é conscientizar-se de que a TPM é uma doença, que pode ser perfeitamente controlada e, a partir daí, procurar um médico. ‘‘As mulheres não devem achar que os sintomas da TPM são normais. Tem mulher que só procura um médico depois de sentir cólica por 10 anos. Com o acompanhamento médico é possível passar pelo período da menstruação de forma tranquila’’, assegura.
O diagnóstico da doença é eminentemente clínico, segundo assinala o médico. Ele observa ainda que o tratamento segue mudanças de hábitos alimentares e de vida. ‘‘Aconselho a prática de exercícios físicos e, em alguns casos, a psicoterapia. A ioga, o Tai Chi Chuan são muito bons para estabelecer o equilíbrio entre forças internas e externas’’, salienta. ‘‘Quanto aos hábitos alimentares, recomendo a diminuição do sal e o aumento da ingestão de líquidos. Também deve-se evitar alimentos que têm a ver com a tensão, por exemplo, o chocolate, o café e os refrigerantes’’.
Numa segunda etapa de tratamento utiliza-se a vitamina B-6. ‘‘Ela diminui o impacto dessas alterações no cérebro da paciente. Se ela não funcionar receitamos medicações mais agressivas do ponto de vista psiconeurológico como tranquilizantes, sedativos e, às vezes, antidepressivos’’, anuncia. Assim, conclui Borges, com mais ou menos seis meses de tratamento, a paciente que mudou os hábitos do passado, que potencializavam os sintomas, poderá ter uma vida absolutamente normal, ou, se for o caso, usar drogas em quantidade bem reduzida.

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