Ser magro e se manter magro é o objetivo de todas as pessoas que estão acima do peso. Não só por motivos estéticos mas também pela saúde, que é gravemente comprometida quando a gordura está acima do permitido. Doenças associadas, como hipertensão, diabetes, colesterol, dor nas articulações e varizes são muito mais comuns nos gordinhos.
Apesar disso, perder peso não é tarefa fácil, principalmente quando o excesso de é grande e em pessoas que passaram boa parte da vida com hábitos errados de alimentação. Pesquisas mostram que quanto maior o índice de massa córporea (veja box), mais difícil baixar o ponteiro da balança. ''Pessoas com obesidade de grau 1 conseguem perder peso de forma clínica, com dietas e exercícios, em apenas 45% dos casos. E esse número diminui ainda mais conforme o peso aumenta'', diz o gastroenterologista Milton Ogawa.
Uma das soluções para eliminar o problema tem sido a cirurgia bariátrica, aquela em que o estômago é diminuído para que a ingestão de alimentos seja menor. Até pouco tempo atrás, a cirurgia era indicada apenas para pacientes com obesidade mórbida, ou seja, IMC acima de 40.
Mas uma descoberta recente da medicina está fazendo com que os médicos revejam esses critérios. Estudos mostram que a cirurgia pode ajudar a resolver o problema de diabetes em pacientes que não são obesos mórbidos, mas que sofrem com a doença. ''Não se sabe exatamente porque a cirurgia acaba com o diabetes, mas isso ocorre em um grande número de pessoas. Considerando que se trata de uma enfermidade grave vale a pena tentar a cirurgia'', afirma Ogawa, especialista em cirurgias de redução do estômago.
Segundo ele, a melhor opção para esse tipo de paciente que se encontra com uma obesidade de grau 1 ou 2 associada ao diabetes, é a banda gástrica ajustável. Nela, um anel de silicone é colocado de forma laparoscópica ao redor do estômago, formando um funil no órgão. Assim, forma-se um compartimento menor na parte de cima do estômago, que se satisfaz com pouca quantidade de comida.
''A perda de peso nesse processo não é tão grande, por isso funciona bem para pacientes com obesidade menor. A vantagem é que a cirurgia é mais simples, sem a necessidade de cortar o estômago e o intestino, o que evita complicações sérias no pós-operatório, como as que ocorrem na cirurgia de fobi-capella (veja box). O seu funcionamento é mais para obrigar o paciente a comer devagar e mastigar bem os alimentos'', diz o especialista. A técnica também pode ser indicada para pessoas que sofram de problemas cardíacos e precisem perder peso para melhorar sua condição.
Dentre as complicações possíveis, há a possibilidade de a banda sair do lugar e formar uma hérnia no estômago. ''Se isso acontece, é necessário realizar outra cirurgia. Mas não há casos de pacientes que tenham morrido em decorrência desse tipo de intervensão'', garante.
Para ele, a banda gástrica pode ser uma boa opção para quem já tentou emagrecer de outras maneiras e não obteve resultado. ''Para fazer a cirurgia, é necessário que o paciente comprove que já tentou por cinco anos fazer regime com nutricionista e exercícios e não conseguiu perder peso. A banda não pode ser vista como uma salvação para todos. Mesmo que seja simples, ela é uma cirurgia e deve ser feita com cautela'', lembra.
Para quem acha um exagero pessoas com 15 ou 20 quilos acima do ideal se submeter a um procedimento tão drástico, o médico cita os benefícios da decisão. ''Muitas vezes as pessoas se enchem de remédios sem controle médico, fazem dietas absurdas e conseguem manter o peso baixo. Acho isso mais perigoso do que colocar a banda, principalmente para quem sofre com diabetes e problemas do coração por causa da obesidade.''

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