Uma babá quase perfeita
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de dezembro de 1996
Francelino França 
Uma idéia norte-americana virou história de sucesso e se espalhou pelo mundo. A história começou em maio de 1996, quando duas mães já não aguentavam mais seus bebês chorões. Bagunceiros, inquietos, agitados e sem medo de colocar a boca no mundo, eles estavam deixando as mães sem paciência e sem saber o que fazer, pois não conseguiam acalmar os garotos.
Muito observadoras, elas perceberam que as crianças se acalmavam quando outro bebê estava por perto. Foi aí que surgiu uma piramidal idéia (mal sabiam que estavam descobrindo um ovo de Colombo). As duas mães fizeram um vídeo, bastante caseiro e sem grandes produções, que mostrava bebês e crianças em várias situações do dia-a-dia. Elas perceberam que assim que colocavam os filhos em frente à telinha eles se acalmavam atraídos pelas crianças do vídeo. Entretanto, a idéia mais fenomenal foi a de colocar o material à venda. Em dois meses, elas venderam meio milhão de exemplares.
Batizado como Baby Faces o vídeo apresenta crianças de bochechas rosadas e rostinhos sadios. A câmara focaliza os pequenos em big close ou corpo inteiro nas mais variadas situações: comendo, tomando banho, se lambuzando, dormindo, brincando, engatinhando, dançando e sorrindo. Isso hipnotiza os olhares de quem está assistindo. As imagens são embaladas por um coro infantil.
Ainda é uma incógnita por que as crianças se acalmam vendo outras crianças. Parece que elas lêem no rosto algo que não dá para compartilhar. O vídeo não apresenta nada demais, apenas expressões faciais. E neste encontro com o primitivo, o vídeo se transforma num acalanto visual.
Uma revista acompanha o vídeo para ser folheada quando não houver um videocassete por perto. À medida que a mãe for mostrando as fotos dos lindos bebezinhos, a criança vai se identificando e se sentindo atraída pelas imagens angelicais. O preço do vídeo e da revista é de R$ 14,90. Segundo a Editora Três, responsável pelo lançamento do calmante visual, provavelmente haverá continuação do pacote em forma de fascículos.
O garoto Eduardo Gonçalves da Silva Filho, 1 ano e 3 meses, é considerado agitado e inquieto. Ele não pára, mas quando eu o coloquei em frente ao vídeo, ele ficou quieto, afirma a mãe do bebê, a arquivista Jaqueline de Moraes Gonçalves. Ela conta que se o filho assistia à uma criança dando tchau, ele respondia da mesma forma. Até uma amiguinha de Eduardo, de 3 anos, se rendeu à magia das imagens e acabou cochilando antes do final.
Eu achei muito interessante, adorei a idéia, é realmente hipnotizante. Mas fiquei pensando: será que a criança não enjoa?, questiona Jaqueline. Ela prossegue dizendo que após desligar o vídeo o garoto voltou a ficar ligado. Baby Faces, segundo Jaqueline, também serve quando a criança fica lutando contra o sono, fazendo manha. Com esse incentivo visual, ele dorme rapidinho, rapidinho.


