Bom desempenho na sala de aula e qualidade de vida fora da escola. Estes são apenas dois dos efeitos de uma alimentação adequada durante o período escolar. Atentar para como o lanche é oferecido nos colégios pode ser uma forma eficaz de promover um comportamento saudável entre crianças e jovens. No Paraná, desde 2004, a lei estadual 14.423 proíbe a comercialização de doces, refrigerantes, sucos artificiais, frituras e salgadinhos industrializados em cantinas de escolas públicas e privadas.

De acordo com a nutricionista Shirlei Marina Camargo, do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), é comum que estudantes questionem ou resistam, de início, a existência de um cardápio balanceado nas escolas. "Muitas vezes, fazem isso por questões familiares, porque não têm o hábito. Mas depois eles se acostumam", comenta a especialista, ao alertar que, hoje, cerca de 30% das crianças e adolescentes em idade escolar do País apresentam sobrepeso.

A oferta de alimentos com menos sódio, gordura e açúcar na merenda escolar já é praticada há mais de dez anos pelo Colégio Londrinense. A instituição conta com um departamento de Nutrição, que elabora desde o cardápio oferecido aos alunos do berçário aos do 5º ano do Ensino Fundamental. "Dentro das atividades escolares, há também aulas de nutrição para que haja esta educação alimentar", assinala a diretora educacional do Londrinense, Ieda Gomes.

Os cardápios, conforme ela, são desenvolvidos de acordo com as características das turmas. Um bebê de até seis meses de idade, por exemplo, tem a possibilidade de tomar o leite materno enquanto estiver no colégio. Há espaço para acondicionar o alimento corretamente e para que a própria mãe, caso ela deseje, amamente a criança na escola. "À medida que o leite materno deixa de ser exclusividade, a mãe pode agendar um horário com a nutricionista da escola, a fim de personalizar um cardápio para o bebê", afirma a coordenadora de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, Márcia Regina de Aquino Hilário.

No berçário e demais turmas com permanência em tempo integral, a alimentação é incluída. Se a criança apresenta alguma restrição, como intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite, procura-se atendê-la com alternativas para cada caso. "Procuramos trabalhar de acordo com a individualidade de cada criança, inclusive com utensílios diferenciados", comenta Márcia. Até o 5º ano do Ensino Fundamental, para turmas de meio período, um lanche diferente é estabelecido para cada dia, semanalmente. As mães podem montar o kit em casa e enviá-lo para o colégio junto com a criança ou adquirir diretamente com a escola a alimentação. O lanche, neste caso, é entregue aos alunos em sala.

Já a partir do 6º ano até o Ensino Médio, os estudantes têm autorização para comprar na cantina o que desejarem. A unidade, contudo, só comercializa produtos considerados saudáveis, como frutas, gelatina, salada de frutas, sanduíches naturais e salgados assados. "E os alunos gostam desse cardápio. Estão se alimentando de forma saudável e tranquila", reforça a diretora do colégio, Ieda Gomes.

Imagem ilustrativa da imagem Uma aula de alimentação
| Foto: Fotos: Ricardo Chicarelli
A nutricionista Shirlei Camargo, da Unifil: oferta de alimentos saudáveis, com menos sódio, gordura e açúcar
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