O levantamento deste ano do Ministério da Saúde aponta que 51% da população brasileira com mais de 18 anos está acima do peso ideal. Além de comprometer a saúde, o excesso de peso também interfere na autoestima. Na busca de um corpo mais longilíneo, é possível escolher entre vários métodos que promovem o emagrecimento. O mais conhecido e radical é a cirurgia bariátrica, mas além do risco que ela representa, o procedimento não é indicado para todas as pessoas. Para fazer a cirurgia é preciso ter Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40.

A colocação do balão intragástrico é a opção escolhida por muitas pessoas que apresentam sobrepeso, mas não chegaram ao ponto de fazer a cirurgia bariátrica, que oferece risco e não é indicada para todos os casos. Menos invasivo, o método do balão pode atender pacientes que apresentam IMC entre 27 e 35. O objeto é colocado por endoscopia no estômago e após inflado ocupa cerca de metade do volume do órgão. "Ele traz a sensação de saciedade e isso facilita a adesão à dieta indicada pela nutricionista", explica o médico gastroenterologista Sérgio Spinosa.

Apesar dos benefícios, quem opta por esta técnica não escapa da fórmula "dieta + exercício físico" e, se for preciso, o acompanhamento com psicólogo é incluído nesta soma. Para o médico, não existe milagre - o balão deve ser visto como uma ajuda. Segundo ele, se a pessoa não mudar os hábitos nem mesmo a cirurgia bariátrica terá eficácia.

Após a colocação do objeto, o paciente precisa seguir uma dieta líquida por alguns dias e, aos poucos, pode voltar a comer alimentos sólidos. Seis meses é o tempo máximo que o balão pode ficar no estômago. Depois deste período é realizada uma endoscopia para retirá-lo, já que há risco do objeto murchar e causar uma obstrução intestinal - neste caso o paciente precisa ser submetido a uma cirurgia de emergência. "Os estudos apontam que a maior perda de peso se dá até o quarto mês e depois o processo se estabiliza. Este dado reforça que a melhor época para retirar o balão é depois de seis meses", explica o gastroenterologista.

O risco do método é bem baixo se comparado ao risco apresentado pela cirurgia bariátrica, mas a perda de peso proporcionada por ele também é menor. Quem coloca o balão e segue as orientações médicas geralmente perde 15% do peso corporal – pacientes muito disciplinados chegam a 20%. No caso da cirurgia bariátrica, o médico explica que a perda de peso pode chegar a 40%. Um dos benefícios elencados por Spinosa é que o procedimento do balão é reversível.

Os resultados alcançados pelo paciente enquanto está com o balão no estômago são considerados bons, mas nem todos conseguem manter a rotina e a alimentação saudável após a retirada do objeto. "Até o final do primeiro ano, metade das pessoas que colocaram o balão conseguem manter o peso, a outra metade volta para a rotina anterior ao tratamento e acaba ganhando peso de novo", aponta. O médico destaca que a técnica é contraindicada para pessoas que já fizeram cirurgia bariátrica e para quem tem hérnia de hiato.

Imagem ilustrativa da imagem Uma ajudinha no emagrecimento



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