Não adianta querer tirar o atraso nos estudos e varar madrugada na companhia dos livros. O tempo de ralar para absorver as matérias já passou. Agora, na reta final para o vestibular, a ordem é espantar o stress para ficar com a cuca fresca na hora das provas. Missão impossível diante dos números da concorrência que insistem em atrapalhar suas noites de sono? Nada que algumas dicas de última hora não ajudem a resolver.
A psicóloga Simone Martin Oliani, que trabalha com vestibulandos no seu consultório e no Colégio Londrinense, ensina truques para driblar a ansiedade e o medo que costumam se intensificar na véspera e que podem, sim, ser os responsáveis pela reprovação. Ela conta o caso de uma garota muito bem preparada para as provas que chegou a fazer dez vestibulares para Medicina. ‘‘O medo e a ansiedade faziam com que ela tivesse pensamentos catastróficos: que não ia conseguir, que decepcionaria seus pais. Depois de um acompanhamento psicológico, finalmente conseguiu entrar no curso’’, conta Simone.
Truques De acordo com ela, conversar sobre o assunto com uma pessoa de confiança é uma das alternativas. ‘‘Na medida em que falamos de nossos medos, eles deixam de ser tão grandes’’, observa. Outro truque é escrever todos os medos em um papel. E todas as expectativas positivas em outro. ‘‘Jogue fora o papel dos medos e se concentre nas suas expectativas positivas’’, ensina.
Para a psicóloga Rosa Maria Cardoso, do Colégio Universitário, é perfeitamente natural que exista um certo grau de comparação com os demais concorrentes. O problema é que alguns se preocupam mais em saber como o outro está do que com o próprio desempenho. ‘‘O importante é ter consciência de que não se pode ter o controle do outro, e sim de você mesmo’’, orienta. Ela aconselha ainda a não supervalorizar as observações feitas por amigos, professores e familiares, pois isso acarreta um gasto desnecessário de energia que poderia estar sendo usada em benefício próprio.
A auto-estima é outra questão a ser trabalhada, pois, geralmente, costuma ficar abalada nessa fase. Simone sugere o seguinte exercício: ‘‘Feche os olhos e se imagine em um lugar bem agradável. Pense em tudo o que você estudou desde a pré-escola. Vá formando uma pilha com todos os cadernos, livros e revistas que você já leu, com todo o aprendizado que você teve na vida, incluindo as viagens que fez. Agora, imagine como essa pilha está gigante. E sinta-se crescer como essa pilha. Agora você é um gigante. E todo esse aprendizado é uma sensação única que ninguém vai tirar de voc꒒.
Algumas medidas práticas também podem contribuir para dar tranquilidade na hora H. Fugir de alimentos pesados e gordurosos na véspera e optar por refeições leves antes de sair para as provas são regras fundamentais. Estômago pesado atrapalha o raciocínio e aumenta a tensão. Chocolate durante os exames, ao contrário do que se imagina, pode acabar atrapalhando. ‘‘O açúcar diminui a ansiedade, mas na hora em que é consumido pode causar desconforto estomacal. Para se beneficiar dos efeitos do chocolate, coma duas horas antes da prova’’, aconselha a psicóloga. O ideal, segundo ela, é levar balas, frutas ou barras de cereais.
Um tempinho para fazer exercícios físicos ajuda bastante. ‘‘A betaendorfina, liberada durante a atividade física, dá uma sensação de bem-estar, aumenta a concentração e dá mais disposição’’, enfatiza Simone. E nada de ficar debruçado sobre os livros na madrugada que antecede os exames. ‘‘Dificilmente se aprende algo decisivo de um dia para o outro. Você pode dar uma espiada nas anotações se isto o deixar menos ansioso’’, diz Simone. Mas nada de exageros. É bom lembrar que uma boa noite de sono é imprescindível para garantir o rendimento esperado no dia seguinte.
Dia D Se tiver dificuldade para dormir, é só seguir as dicas de Rosa Maria. ‘‘Escolha uma posição confortável, visualize um lugar agradável e observe o funcionamento de cada parte de seu corpo, a começar pelos dedos dos pés. Atente para a respiração, inspire e expire bem devagar, procurando perceber os movimentos feitos pelo abdome’’, ensina. No dia D, o melhor é ficar longe das apostilas. Para os que não conseguem se separar delas, Simone dá uma sugestão. ‘‘Atleta não faz aquecimento para entrar em campo? Então resolva um exercício de cada matéria, só para aquecer o cérebro’’.
Para não correr o risco de chegar atrasado ao local da prova, é aconselhável fazer o trajeto antes, cronometrando o tempo gasto até lá e os locais de estacionamento. Todo o material necessário – lápis, caneta, borracha e documentos – deve ter sido separado na noite anterior para evitar correrias de última hora. Ao receber a prova, procure ler as questões com calma e atenção. ‘‘Se deparar com alguma dificuldade, pule para a outra que você pode responder. Assim, você recupera a tranquilidade e aumenta a confiança para resolver o resto’’, aconselha Rosa Maria. ‘‘Nada de ficar olhando para o relógio da sala’’, atenta Simone. O ideal é prestar atenção no próprio ritmo e tentar resolver um pouco mais de 50% das questões na metade do tempo da prova, utilizando o restante para as demais.
Depois de sair da sala, a vontade é voltar correndo para a casa e procurar as respostas para aquelas questões que você acha que errou? Esqueça. Conferir gabarito, nem pensar. E não leve em consideração a possibilidade de estudar à noite para os exames que ainda estão pela frente. ‘‘A ordem é reunir a galera em uma pizzaria e ralaxar. Dar um tempo para o corpo e a cabeça vai ajudar a enfrentar as outras etapas’’, garante Simone.

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