Angela Raizer Barbosa
A tão esperada virada para o ano 2000 já aconteceu. O mundo não acabou e o bug do milênio já é coisa do passado. Entretanto, para a maioria dos jovens que estão em Londrina para prestar vestibular, a contagem regressiva para a grande virada começa domingo. Mais que um teste de conhecimento, o vestibular é hoje um rito de passagem. No auge da adolescência, com os hormônios ainda em ebulição, a garotada tem que enfrentar sua primeira e, talvez, mais difícil prova de fogo: mostrar que sabe mais que o outros 10, 30, 40 concorrentes à uma vaga, que pensam exatamente a mesma coisa. Haja sabedoria e tranquilidade para vencer a concorrência, o stress e evitar um ‘‘branco’’ na hora das provas.
‘‘Ansiedade, taquicardia, falta de ar, tremedeira, fadiga, incapacidade de se concentrar, dores de cabeça, barriga e estômago são alguns sintomas que podem ocorrer com o vestibulando às vésperas dos exames’’, afirma a psicóloga Maria Zilah Brandão. O primeiro desafio, segundo ela, é controlar a ansiedade e se convencer de que o nervosismo nessa situação é comum à maioria das pessoas. ‘‘Todos têm medo do vestibular. Afinal, além de ter de escolher uma profissão aos 17, 18 anos, um período de instabilidade em que as fragilidades ainda estão à flor da pele, o adolescente é submetido a um teste massacrante para o qual não está emocionalmente preparado, acrescenta’’.
Relaxamento e lazer O número ainda insuficiente de vagas para ingressar na faculdade torna a disputa tão importante que leva o candidato a carregar o tempo todo sentimentos de medo ante a expectativa de não ser aprovado. ‘‘É muita pressão’’, diz a psicóloga Fátima Cristina Conte. ‘‘Dos pais, da escola, dos professores, da sociedade – gerando no jovem um único pensamento: eu tenho que passar para mostrar que sou capaz, caso contrário algo catastrófico vai acontecer, é a única chance da minha vida’’. Imaturo, vulnerável, pressionado, ele acaba intensificado o peso do negativo, a ponto de alguns entrarem em pânico na hora do exame. ‘‘Não existe mágica para evitar essa ansiedade e ir bem no vestibular, principalmente agora, quando faltam menos de dois dias para as provas, mas uma coisa é certa: querer aprender tudo na última hora não leva a nada, só acarreta mais stress
DicasAs psicólogas Fátima Conte e Maria Zilah Brandão, que atuam em parceria num programa de prevenção de stress para vestibulandos, na clínica particular e no Colégio Maxi (ver box), dão algumas dicas importantes para vencer os sintomas que alimentam a ansiedade pré-vestibular:
– Fuja de pensamentos catastróficos, do tipo ‘‘não vou conseguir’’, ‘‘meus pais não vão me perdoar se eu não passar’’
– Procure relaxar na véspera, praticando exercícios físicos leves e agradáveis
– Respire do jeito certo: inspire pelo nariz, encha o abdome de ar e solte lentamente pela boca. Faça isso hoje, amanhã e nos dias das provas
– Passeie, descanse e alimente-se bem. Um pouco de ansiedade sempre existirá – não lute contra ela, quanto mais você tentar domá-la, mais ela se acentuará
– Não tome calmantes, a não ser que você já esteja tomando por outros motivos
– Fuja dos plantões de véspera – do ponto de vista psicológico nenhum vestibulando deveria participar dessas sessões extremamente estressantes
– Não se sinta culpado por não estudar na véspera
– O temido ‘‘branco total’’ é raro e só acontece quando o vestibulando não está preparado adequadamente
– Não alimente pensamentos de perfeccionismo. Aceite o erro para não se desesperar diante do primeiro exercício insolucionável
– Procure conscientizar-se de que vestibular é uma prova: se você não passar não é o fim do mundo; se for aprovado não é o paraíso.Especialistas ajudam a superar o stress e a vencer a ansiedade às vésperas do vestibular
Fotos: Arquivo FolhaO primeiro desafio, segundo a psicóloga Maria Zilah Brandão, é controlar a ansiedade e se convencer de que o nervosismo nessa situação é comum à maioria das pessoas‘‘Não existe mágica para evitar a ansiedade e ir bem no vestibular, mas uma coisa é certa: querer aprender tudo na última hora não leva a nada, só acarreta mais stress’’, afirma a psicóloga Fátima Conte

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