Um upgrade para os pais
Semana passada, um grupo de pais de alunos do Ensino Fundamental deixou o conforto de casa para passar duas horas diante do computador em uma sala de aula. O motivo era nobre: aprender um pouco sobre um assunto que os filhos dominam melhor do que eles - a internet.
A idéia de organizar uma oficina sobre o assunto para os pais surgiu a partir da experiência da coordenadora da Assessoria Educacional do Maxi, Márcia Guimarães. O tema tem sido um dos principais questionamentos nas palestras ministradas por ela em todo o Brasil, por conta das atividades do Sistema Maxi de Ensino.
A coordenadora observou que é importante orientar os pais quanto ao uso da internet sem, contudo, proibir. Não apenas porque prejudica a relação com os filhos, mas, porque, na maioria das vezes, a proibição é ineficaz. Existem formas de driblar o bloqueio a sites e programas de bate-papo. Basta entrar em sites de redirecionamento (proxy), que permitem acesso alternativo aos endereços bloqueados.
''Encontramos mais de 5 mil sites de redirecionamento e a cada dia descobrimos mais'', revela a professora de Informática Janaína Gardenal, que conduziu a parte prática da oficina juntamente com o coordenador do departamento de informática, Rogério Lopes de Souza. A proibição ainda tem um risco extra. Segundo Janaína, ao acessar os proxy, a criança fica exposta a banners de pornografia e a jogos de azar. Se diante do bloqueio da Internet em casa ela começar a frequentar lan houses, pode estar vulnerável a outros perigos: relacionar-se com estranhos e fornecer informações confidenciais em computadores públicos, por exemplo.
A melhor conduta dos pais, segundo Márcia, é supervisionar o acesso dos filhos à internet. E isso não significa espionagem, como bem lembrou a mãe Maristela Pozzobom, que resolveu participar da oficina para saber como agir futuramente com a filha de 12 anos, ainda pouco fã de Orkut e MSN. ''Não acho certo invadir a privacidade dela. O melhor é monitorar. É o que eu faço com frequência'', conta ela, que tem uma página no Orkut criada pela filha.
Entre os cuidados básicos indicados pela coordenadora, um deles pode ajudar bastante nesse monitoramento. ''Jamais conecte o computador no quarto do seu filho ou em outro lugar afastado da área de circulação da casa. Deixe sempre à sua vista'', ensina. Mas não basta supervisioná-lo à distância. É preciso se envolver.
Uma boa dica é conversar sobre os amigos virtuais e as atividades online da mesma forma que se conversa sobre outros assuntos. Márcia destacou a importância de instruir os filhos a não fornecer informações pessoais na rede, mas também evidenciou os aspectos positivos da internet, como os fóruns de discussão, os blogs (diários virtuais) e a velocidade associada à qualidade da informação. Se nem tudo o que está na rede é de boa qualidade, cabe também aos seus usuários enriquecê-la, tornando-a cada vez mais útil à sociedade. Uma forma de provar que, desde que bem utilizada, a internet é uma poderosa aliada da educação. ''É um caminho sem volta'', ressalta Márcia. (Da Editoria)





