''Dentes brancos, hálito puro e um sorriso brilhante''. Essa frase, para quem não se lembra, é da propaganda de um famoso creme dental. O apelo publicitário da marca atende ao desejo de uma grande parcela da população: ter dentes perfeitos. Além de ser sinônimo de boa saúde, a brancura dos dentes contribui com a auto-estima e a estética da pessoa, e auxilia até mesmo a conseguir trabalho num mercado competitivo.
Infelizmente, há casos em que apenas a escovação dos dentes não resolve. Por isso, a ciência e a tecnologia não medem esforços em busca de produtos e equipamentos que facilitem esse ''sonho de consumo''. O mercado odontológico oferece variadas técnicas de clareamento dental, como o uso de ácidos, as facetas laminadas (películas de porcelana aplicadas sobre os dentes). Apesar da ação já reconhecida, essas técnicas demandam tempo e há casos em que os medicamentos utilizados provocam danos à mucosa bucal.
Rapidez A boa notícia, segundo o dentista Rubens Corzânego Júnior, que atua em odontologia estética, é a utilização do laser, que possibilita um clareamento rápido e eficiente de todos os dentes em menos de uma hora por arcada, sem anestesia e sem dor alguma. O aparelho foi lançado no mercado nacional há pouco mais de um mês, e além de deixar os dentes brancos, a luz do laser tem ação terapêutica na mucosa bucal, nos tecidos nervosos, estimulando ainda a remineralização dos dentes.
Rubens explica que o clareamento é promovido por um gel à base de peróxido de hidrogênio, cuja ação é ativada pela luz azul emitida pelo aparelho. Semelhante ao que ocorre com a medicina ortomolecular, o gel promove a desoxidação do tecido dental. O dentista destaca ainda que a luz produzida pelo aparelho é através de dispositivos chamados LED's utilizados também em indicadores luminosos de aparelhos eletrônicos e painéis de veículos . Esse sistema, de acordo com Rubens, tem um mínimo de aquecimento e assim, não oferece risco de sensibilização dos dentes.
Outra vantagem da técnica é que o paciente não corre o risco de engolir o produto, pois antes da aplicação é feito o isolamento total dos dentes e a proteção dos tecidos gengivais por uma espécie de lençol de borracha. A vedação é completada ainda pela aplicação de uma resina desde a superfície dental até o sulco gengival.
Herança genética A técnica, de acordo com o dentista, pode ser aplicada na maioria dos casos de dentes escurecidos. ''O grau de clareamento depende também de características da pessoa, idade, integridade e tonalidade dos dentes'', alerta. Por isso, Rubens diz que o primeiro passo é uma avaliação das causas do escurecimento.
A cor dos dentes é herança genética, assim há tonalidades amarelas que são naturais. Ao contrário do que se imagina, não é o esmalte o responsável pela cor, mas a dentina o segundo tecido dental. O esmalte, que corresponde ao primeiro tecido dos dentes, é uma película encarregada de proteger as demais camadas internas. Rubens explica ainda que há manchas e escurecimentos em dentes vitais (com nervo) que são produzidas por alimentos ou bebidas com uma alta concentração de corante.
Ele cita fatores externos e internos que interferem na coloração dos dentes. Entre os externos estão os pigmentos, como o café, alimentos, tabaco e bactérias cromogênicas (são bactérias que compõem a flora bucal, que absorvem a cor dos alimentos, e se auto-pigmentam). Nas causas internas aparecem a hereditariedade, fluorose (doença provocada pelo excesso de flúor), falta de esmalte e a formação incompleta dos dentes. Há ainda a ''contribuição'' de antibióticos à base de tetraciclina, icterícia grave e traumatismos.
O custo total do procedimento, segundo Rubens, é mais acessível que os outros procedimentos estéticos existentes no mercado. ''Equivale ao custo da prótese fixa ou da faceta laminada de um único dente''.
Em relação à durabilidade do procedimento, o dentista alerta que na boca nada pode ser considerado definitivo, já que ela tem muito contato com o meio externo e é um ambiente altamente contaminado por organismos como bactérias e vírus. Por isso, após o clareamento dos dentes ele orienta que se faça ao menos uma avaliação por ano, nada além da obrigação de qualquer pessoa que preze pela saúde bucal. Rubens arremata dizendo que, ''com os recursos disponíveis e profissionais qualificados, só não tem um sorriso bonito quem não quer''. n

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