Celso Mattos
ICSI é a sigla da nova técnica de fertilização que promete revolucionar a medicina reprodutiva, realizando o sonho de muitos casais que desejam ter filhos
Casais que passam meses e até anos tentando uma gravidez sem sucesso podem estar convivendo com a infertilidade. Este é um problema que atinge de 10% a 15% dos casais em idade reprodutiva. Mas, ao contrário de anos atrás, o sonho da maternidade está se tornando cada vez menos impossível. Novas técnicas na área de reprodução humana têm promovido com sucesso o tão esperado e desejado encontro do espermatozóide com o óvulo.
Os métodos para marcar esse encontro vão desde alternativas naturais, como a relação sexual com data marcada, até técnicas avançadas como a ICSI – Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides, que permite injetar o espermatozóide diretamente dentro do óvulo. ‘‘Esse é o método do futuro na área de medicina reprodutiva’’, afirma o médico ginecologista e especialista em reprodução Renato Koike, que vem aplicando essa técnica há alguns meses. ‘‘Já temos 15 casos de gravidez pelo método ICSI em Londrina’’, contabiliza.
Renato Koike explica que a ICSI consiste na introdução de um único espermatozóide dentro de um óvulo, com o auxílio de uma micropipeta (uma agulha de vidro extremamente fina). ‘‘É uma técnica recomendada para casais que não conseguem engravidar através de um tratamento de fertilização in vitro convencional’’, ressalta o médico. ‘‘O ICSI veio para beneficiar principalmente o homem que não tem um sêmen de boa qualidade devido a uma série de motivos que podem ir desde uma varicocele até a problemas de stress, alcoolismo e fumo’’, acrescenta.
Mas esta nova e revolucionária técnica também é uma boa notícia para os homens que fizeram vasectomia. ‘‘Caso o homem não queira reverter a cirurgia, os espermatozóides são aspirados diretamente dos testículos ou do epidídimo. Após aplicar uma anestesia local, o médico, com o auxílio de uma agulha acoplada a uma seringa, faz a captação dos espermatozóides’’. A exemplo dos homens vasectomizados, as mulheres que fizeram laqueadura também podem se beneficiar da ICSI.
Embriões excedentes O ginecologista Renato Koike explica que o processo utilizado na ICSI é semelhante ao de fertilização in vitro. ‘‘É feita uma estimulação ovular na mulher – quando ela estiver ovulando o casal vem à clínica – onde é feita a captação dos óvulos com auxílio de um ultra-som endovaginal. No caso do homem não vasectomizado, a coleta do semên é feita através de masturbação. A grande vantagem desta técnica é que na fertilização in vitro convencional, o semên precisa conter, em média, de 1 a 2 milhões de espertozóides para ocorrer a fecundação, na ICSI são necessários apenas dez’’.
Outra vantagem é que o processo todo dura cerca de 45 dias, ‘‘diminuindo o desgaste físico e emocional do casal’’, salienta o médico. Segundo Renato Koike, o índice de gravidez entre os casais que passam por essa técnica é de 20% a 40% na primeira e segunda tentativas. Na terceira e na quarta, o índice sobe para 70%’’, afirma. Entretanto, o casal que não conseguir engravidar na primeira vez, não precisa repetir todo o processo novamente, podendo usar, na segunda ou terceira tentativas, os embriões excedentes que ficaram congelados.
‘‘No caso de se obter a gravidez na primeira tentativa, o casal é informado sobre os embriões excedentes. Se forem de boa qualidade, é sugerido o congelamento para uma segunda gravidez ou doação para casais que não conseguiram ter sucesso em nenhuma técnica de fertilização’’. Renato Koike reconhece que a existência de embriões excedentes é a grande desvantagem da ICSI. ‘‘Tanto para o congelamento quanto para o descongelamento, o casal deve assinar um termo de consentimento. Esse documento tem validade de dois anos, podendo ou não ser renovado pelo casal após esse período’’, informa o médico.
Nem todos os embriões, porém, sobrevivem ao processo de congelamento e descongelamento. ‘‘Mesmo que os embriões congelados tenham boa qualidade, a chance de gravidez é menor do que a de um tratamento no qual se utilizam embriões frescos’’, ressalta o especialista.

mockup