O vegetarianismo hoje é bastante disseminado. Porém, há 33 anos, quando Laura Packer, de 55 anos, aderiu ao novo estilo de vida, pouco se sabia sobre o assunto. "As pessoas perguntavam que doença eu tinha para ser vegetariana", conta ela, que há 10 anos passou de vegetariana à vegana – que não consome produto algum de origem animal. Professora e palestrante sobre vegetarianismo e yoga, Laura fez vários cursos de formação na Índia e nos Estados Unidos.

Muito mais do que uma entusiasta, Laura é uma especialista e referência no assunto. Suas palestras vão além da narrativa de experiências e contam com dicas práticas e informações sobre nutrição. Autora dos livros: "Viver Vegetariano – Sutilizando a Existência", "Senda do Yoga – Filosofia, Prática e Terapêutica" e "Vegetarianismo – Sustentando a Vida", Laura esteve em Londrina para uma palestra no Quintessência Spa Store, onde concedeu entrevista à FOLHA.

"Tudo começou quando eu tinha 22 anos, no primeiro dia na universidade, quando conheci uma vegetariana. Aquele encontro foi tão forte que mudou meu percurso", conta Laura. A partir desse dia ela e o namorado, hoje seu marido, tornaram-se vegetarianos. "O vegetarianismo não é só alimentação, mas um princípio de vida. Nos mostrou um lado que nos colocou mais próximos da natureza e em conexão com todos os seres", explica.

Logo após o contato com o vegetarianismo, Laura conheceu o yoga, outra paixão. Desde 1986, ela mantém uma casa de yoga em Joinville (SC). "O yoga preconiza o vegetarianismo. Durante os cursos de yoga, na imersão dessa cultura, me aprofundei sobre o vegetarianismo." O conhecimento sobre o tema é tanto que Laura foi convidada, em 2006, para ministrar uma palestra durante o Congresso Mundial de Vegetarianismo na Índia. "Foi um grande presente esse convite. Principalmente porque é um país com anos de prática no vegetarianismo", valoriza.

Além do centro de yoga, Laura mantém também um local de retiro, meditação, prática de yoga e de divulgação do vegetarianismo em Campo Alegre (SC). Por lá, ela faz questão de colocar em prática tudo o que prega. "No centro eu fico na cozinha. Além disso, planto grande parte do que como e me dedico a mexer na terra, plantar e virar o mato", diz.

Dentre as consequências da nova alimentação, Laura destaca uma maior vitalidade e a ausência total de remédios em sua vida. "Você passa a fazer do seu alimento o seu remédio. Ao mesmo tempo em que está se nutrindo está se curando". Segundo Laura, foi uma frase de São Paulo que a ajudou a explicar seu estilo de vida e que serve como base até hoje. "Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém."

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| Foto: Foto: Ricardo Chicarelli
"Você passa a fazer do seu alimento o seu remédio. Ao mesmo tempo em que está se nutrindo está se curando", diz Laura Packer, de 55 anos, vegetariana há mais de três décadas
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Prana: energia vital"Quando comemos o que não tem energia perdemos a nossa energia vital. O alimento que não tem prana vai ‘roubar’ o prana do nosso baço, que ajuda na digestão. Sem eles vamos ficando desvitalizados. Os alimentos orgânicos estão em equilíbrio com a ordem do universo. Em todos os cereais integrais, por exemplo, podemos colocar o grão no chão e ele vai germinar. Se o alimento não tem prana é melhor não comer ou comer pouco. Encare essa como a primeira mudança no dia a dia."
A polêmica da proteína"A grande questão do vegetarianismo: o que é que eu vou fazer para obter proteína se não como carne? Esse mito de que precisamos da carne para a proteína acabou nos anos 1960. O que é preciso é uma combinação de alimentos: feijões, cereais e sementes, todos os dias. Assim teremos uma proteína com mais qualidade do que uma porção de carne." Não gerar sofrimento"O vegetarianismo é um assunto profundo e não apenas o ato de comer. É uma visão diferente de vida, onde a alimentação vai trazendo o conceito de respeito com os animais e os outros seres vivos. É algo que nos possibilita gerar menos sofrimento e isso é algo que nos deixa mais sensível. A alimentação nos deixa cheios de muita compaixão com os outros seres. O ato de comprar comida e preparar o alimento nos dá uma grande oportunidade de não gerar sofrimento."
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Comida x alimento"Existe uma diferença entre comida e alimento. Comida é qualquer coisa. Alimento tem energia vital. Alimento é aquilo que se escolhe, pois sabe-se que tem o que você precisa. São legumes, folhas verdes e os grãos integrais, por exemplo."
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Três princípios básicos"Três coisas são importantes no vegetarianismo: saber se aquele alimento tem boa nutrição (prana), boa digestão e boa eliminação. A digestão começa na boca. A mastigação é o primeiro ponto da alimentação vegetariana. Além disso, precisamos saber se estamos conseguindo eliminar o que ingerimos."
Observe sua língua"Saburra é a cama de toxinas da língua que impede que possamos sentir o real sabor dos alimentos. Quanto mais sabores artificiais ingerimos, mais precisaremos deles, pois os alimentos naturais não nos darão mais prazer, já que não sentiremos seu sabor. O ideal é fazermos uma raspagem na língua todos os dias pela manhã."
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