Você sabia que a viscose foi inicialmente desenvolvida para construir o filamento da lâmpada incandescente? E que o náilon (primeira fibra sintética) veio para substituir a seda na construção do pára-quedas na década de 50? As aplicações na moda vieram depois, mas as exigências do mercado fashion e principalmente as necessidades do esporte no que diz respeito à performance acabaram sendo a mola propulsora para o desenvolvimento da indústria têxtil.
Quem conta é Margareth Daher, professora de tecnologia e design têxtil do curso de Estilismo em Moda da UEL. Segundo ela, a meia transparente foi a primeira utilização do náilon na indústria do vestuário. Em seguida, vieram as outras fibras sintéticas (derivadas do petróleo): o poliéster e a acrílica, que substituem a lã por ter as mesmas propriedades de aquecimento, além de ser antialérgicas, antitraças e superversáteis, podendo ser usadas também no verão, com aparência de linha.
Margareth lembra que a calça de tergal (feito com poliéster e algodão, hoje utilizado na confecção de lençóis e toalhas de mesa), foi uma das maiores revoluções no vestuário dos anos 50, pois tinha a incrível capacidade de não amassar. O problema é que, com o tempo, a impermeabilidade da fibra se tornou um desconforto, pois não tinha respirabilidade e o suor ficava entre a pele e a superfície do tecido.
A questão foi resolvida com o advento da microfibra de poliéster, cinco vezes mais fina que a fibra de algodão que, por sua vez, é pouco mais fina que um fio de cabelo. ''Cada vez mais, as microfibras contam com maior número de filamentos, o que significa maior respirabiidade e conforto'', observa a professora.
Conforto, entretanto, nem sempre é tudo. Embora seja a fibra mais agradável ao toque, o algodão demora muito para secar. No varal, isso pode não fazer diferença, mas na pele dos atletas vira um problemão. ''Imagine o que é correr 90 minutos com uma camisa encharcada de suor'', argumenta Margareth, lembrando o que acontecia há duas décadas, quando as misturas de fibras sintéticas ao algodão que hoje contribuem para melhorar a performance na quadra e no campo de futebol ainda eram mero projeto.
De acordo com Margareth, as infindáveis construções (forma de entrelaçamentos dos fios), possíveis graças aos maquinários de última geração, associadas às novas tecnologias de acabamentos (corantes, resinas e processos químicos variados), são os grandes responsáveis pela nova cara dos têxteis. As possibilidades são tantas que dão conta até de corrigir as ''falhas'' de alguns materiais.
É o caso do elastano, que peca pela falta de resistência. Em alguns casos, ele pode ser substituído pelo elastano mecânico, feito a partir da microfibra de poliéster texturizado, trabalhado de forma esticada no tear. ''O resultado é um tecido com um grau de elasticidade que garante conforto ao usuário e uma roupa com vida útil muito mais longa. O processo é bastante utilizado na camisaria masculina'', informa Margareth.
Entre as inovações, ela destaca os não-tecidos, feitos a partir da aglomeração de fibras (não de fios), através de processos químicos em altas temperaturas, que dispensam as fases da fiação e da malharia/tecelagem, barateando o custo. (R.V.)

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