Um "plus" no currículo
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
Vivian Fukushima<br>Reportagem Local 
Não se engane com os olhos grandes e claros de Luciano Moreira Marques, 32 anos, encarregado de contas de uma importadora em Londrina. Ele não estuda alemão, nem inglês, e muito menos francês. O que faz esse profissional voltar às salas de aulas é o chinês, a língua mais falada no mundo. E o motivo? Puramente profissional. "Nunca fui para China, não tenho parentes chineses e também nunca tive contato com a cultura desse país. Optei pelo chinês pensando no trabalho mesmo", diz.
Há um ano e meio cursando esse idioma no Wizard, o encarregado de contas trocou o inglês pelo chinês, pensando em um diferencial no mercado de trabalho. "O inglês é importante, mas hoje não é mais motivo de desempate. Atualmente a China é o país que mais cresce economicamente. Por isso, com o chinês, sem dúvida, dou um passo à frente", afirma.
Assim como no caso do idioma chinês, cresce o interesse por línguas estrangeiras como o alemão, japonês, francês, italiano, entre outras. À procura de um diferencial, já que, hoje, inglês e espanhol tornaram-se obrigatórios nos currículos, os estudantes buscam alternativas para conseguir um emprego melhor ou uma oportunidade de estudo.
Segundo Dorothy Fraccalvieri, diretora e professora de italiano do Corso Itália, a procura pelo idioma cresce principalmente entre jovens universitários que vêem nos intercâmbios entre faculdades uma chance a mais de incrementar o currículo. "O italiano têm uma conotação cultural muito forte. Eu sempre ouço dos meus alunos que, quando revelam que falam o idioma, as pessoas já os enxergam com outros olhos", afirma.
Assim é visto também o francês, língua falada nos cinco continentes. Para a diretora pedagógica e professora da Alliance Française, antigamente, quem procurava o curso tinha como objetivo o turismo ou simplesmente por curiosidade e afinidade com a língua. "Hoje, o que está bem em evidência é o público universitário, que percebeu a importância de um idioma diferenciado no currículo", diz.
É o caso do estudante de Engenharia Ambiental Vitor Manoel Nogueira Álvares, de 21 anos. Assim que surgiu a oportunidade de intercâmbio para a Alemanha, pela universidade em que estuda, o jovem procurou o curso de alemão. "Já terminei o inglês e agora optei pela língua germânica porque acredito ser um diferencial e tanto na vida pessoal quanto na profissional", diz.
Mas, segundo o estudante, para falar o idioma de Beethoven e Einstein, tem que ter determinação.
"O alemão tem algumas dificuldades em relação à gramática e ao sotaque, não muito familiar para os brasileiros, como o famoso R," diz. Mesmo assim, ele acha que vale a pena. "O fato de conhecer uma língua que a maioria dos brasileiros desconhece é um motivo a mais para terminar o curso".


