Arquivo FolhaPara o psicólogo José Baltazar, homens egocêntricos são gerados por mulheres que carregam dentro de si ranços machistasA entrada da mulher no mercado de trabalho vem exigindo a remodelação dos papéis dentro da própria família. Isso tem se mostrado importante não apenas para não sobrecarregá-la, mas também para que sua saída de casa seja atenuada com a participação mais efetiva do homem dentro do lar.
Coisas como diálogo, afeto, atenção e divisão de tarefas ganham características novas por causa dessa mudança. A palavra mais correta aqui talvez soma, e não divisão. Homens e mulheres assumem para si a tarefa de provedores, não só de alimentos, roupas ou brinquedos, mas também de amor, respeito e formação. Não existe mais um cérebro (pai) e um coração (mãe), mas dois cérebros e dois corações que atuam juntos.
Uma matéria sobre pais e filhos, publicada recentemente na revista Veja,
aponta inúmeras pesquisas, feitas nos últimos anos, falando dessa presença masculina mais efetiva no lar. A conclusão é uma só: além da interação com a mãe, a proximidade do pai é fundamental para o desenvolvimento cognitivo da criança, mas é importante que a participação seja efetiva.
Seja separado ou não, o pai deve buscar uma forma de participar de verdade da formação da criança. Um contato puramente festivo e artificial não vale, nem vai ajudar em nada. O que contam são coisas como levá-la à escola, ao médico, trocar fraldas, brincar com ela, dar-lhe comida, corrigi-la ou consolá-la, quando necessário. Enfim, compartilhar de sua vida, algo que durante muito tempo coube apenas à mãe.
Para que isso se torne uma realidade em todas as famílias, ainda há muito que ser feito. Afinal, toda mudança provoca alguns transtornos iniciais. Assim como foi difícil para a mulher ir à luta e sair de casa, também está sendo difícil para o homem esse ‘‘ficar em casa’’. Muitos se sentem inseguros ou resistentes, sem saber direito como agir.
Porém, como todo processo de transformação, esse é um trabalho para várias gerações. E vai se acelerar, segundo o psicólogo José Antônio Baltazar, à medida que mulher se conscientizar do seu papel como formadora de identidade. ‘‘Ainda hoje é ela quem educa os filhos. Isso significa que, se eles crescem egocêntricos e machistas, é porque ela está enviando mensagens dúbias. Cria um filho para ela e outro para o mundo, totalmente diferente’’, diz.
Para Baltazar, essa dubiedade acaba impedindo à criança o desenvolvimento do respeito pelo modelo feminino. ‘‘São mulheres que ainda têm dentro delas ranços machistas, por isso geram homens machistas e egocêntricos. O que não aconteceria se ela formasse pessoas para se relacionar com outros seres, não apenas com ela mesma’’, critica Baltazar.
O medo aqui é que os filhos ‘‘desviem do rumo’’, se tornem gays ou homens frágeis, inseguros, e que possam ser manipulados por qualquer mulher. O que é um grande equívoco. Segundo Baltazar, o que gera o fraco, o incapaz, é o fato de ele só usar a emoção, assim como o egocêntrico e o psicótico usam somente a razão. ‘‘O equilíbrio do ser está em saber conjugar essas duas forças. E a função dos pais é passar justamente esse equilíbrio aos filhos. Enquanto gerarem mensagens confusas e dúbias, as mães vão continuar formando homens egocêntricos e machistas’’.

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