A relação entre o executivo Mário Sérgio Lemos, 49 anos, e sua filha, Natalia Thaísa Lemos, 17, tinha tudo para ser distante e até mesmo complicada. Ele sempre teve uma rotina bastante atribulada, com muitos compromissos profissionais e um triste agravante: perdeu a esposa, mãe de Natalia, quando a menina tinha apenas cinco anos de idade.
Para muitos pais, a melhor solução seria deixar a educação da filha por conta de alguma mulher da família, uma tia ou avó, ou para uma possível nova esposa. Ao contrário das previsões, não foi isso que Mário fez. ''Quando minha esposa faleceu, todos acharam que eu iria pedir para alguém cuidar da criança. Mas isso nunca me passou pela minha cabeça. Até a Natalia me perguntava quando eu iria arrumar outra mãe para ela'', lembra.
Na verdade, os cuidados de Mário com a filha já existiam desde quando ela ainda era um bebê. Apesar da vida corrida, ele garante que sempre teve tempo para se dedicar à filha. ''Minha mulher também trabalhava bastante e eu precisava ajudar. Antes da Natalia completar um ano, ela viajou a trabalho e eu fiquei sozinho com a bebê em casa. Eu brincava, trocava fralda, dava mamadeira, fazia tudo. E era assim quando minha mulher estava viva. Sempre tivemos pessoas na casa para ajudar, mas nunca deixamos de fazer nossa parte. Talvez por isso não pensei que seria difícil ficar sozinho com a Natalia''.
E os cuidados com a filha não impediram o executivo de cuidar da carreira. Enquanto a menina se desenvolvia sob os olhos atentos do pai, Mário ainda conseguiu crescer na empresa em que trabalha há anos e fazer outra faculdade. ''Nessa época, a Natalia já estava um pouco maior e eu acabei me distanciando um pouco dela porque não tinha tempo. Mas acho que isso foi bom porque a deixou mais independente'', afirma. ''Eu sentia muita saudade dele no período de viagens, mas aguentei porque sabia que era importante para o meu pai'', completa ela.
Hoje a rotina de ambos permite que pai e filha possam ter uma relação de dar inveja a muitas famílias. Mário é um pai extremamente presente e preocupado com as necessidades da menina. ''Não sou um pai de cobrar muito os deveres da escola, por exemplo, mas me preocupo com todas as coisas dela.. E a Natalia é uma pessoa muito fácil, responsável com suas obrigações e companheira. Sempre que dá a levo ao médico, acompanho nas compras, dou palpite, compro absorventes, lingerie'', revela.
A amizade entre os dois é tão forte que Natalia gosta da companhia do pai até mesmo para programas típicos de sua idade. ''Para comprar roupas, eu gosto que ele vá para me ajudar a escolher. Prefiro sair com ele do que só com os amigos'', garante ela. ''Às vezes vou buscá-la em alguma festa e ela insiste para que eu entre e fique um pouco no meio da moçada. Sinto que ela gosta da minha companhia'', orgulha-se o pai.
Agora, alguns assuntos de mulher Natalia divide com a namorada do pai. ''Eu nunca senti falta de ter uma mãe porque ele é um pai/mãe ótimo. Mas agora eu prefiro contar certas coisas primeiro para a namorada dele e depois para ele'', explica.
''Demorei muito em me envolver com outras mulher porque minha preocupação era com a Natalia e eu não sentia necessidade de ter mais alguém na minha vida. Quando comecei a namorar, minha filha sentiu um pouco de ciúme, mas agora ela aceita muito bem'', comenta.
E o sentimento paterno de Mário é tão grande que ele chegou a 'adotar' o filho que a falecida esposa tinha antes de se casar com ele. ''Quando minha mulher morreu, o filho dela já estava com 18 anos e era bastante independente. Mesmo assim, ele continuou morando aqui em casa e só saiu há pouco tempo. Hoje ele trabalha comigo e somos bons amigos. Ele também é parte da família'', diz.

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