Um olhar sobre a terceira idade
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quinta-feira, 22 de março de 2001
Angela Raizer Barbosa 
Cabelos brancos, perda da elasticidade da pele, anéis de gordura localizada, diminuição da capacidade motora, dor nas articulações, sem contar as doenças mais graves. Como se isso não bastasse há ainda as dificuldades de audição e visão para se somar aos sintomas perversos da terceira idade. As estatísticas apontam que 80% das pessoas com mais de 65 anos sofrem de alguma doença degenerativa. Sem dúvida, com o passar dos anos, a resistência do organismo torna-se mais fraca; afinal, ainda não existe um remédio para prevenir o envelhecimento. O que a medicina pode fazer é amenizar os sintomas da velhice, cuidando para que o organismo não se deteriore mais ainda e evitando que as doenças avancem por falta de diagnóstico e tratamento adequados.
Um trabalho nesse sentido foi desenvolvido no ano passado pela Secretaria do Idoso de Londrina, que fez um levantamento da saúde das pessoas acima de 60 anos. A triagem envolveu várias áreas médicas, entre elas a oftalmológica, que traçou o perfil da saúde ocular da terceira idade. O resultado desse trabalho, realizado pela equipe médica do Hospital de Olhos de Londrina (Hoftalon), foi divulgado agora. Os oftalmologistas examinaram 1.465 pacientes com idade média de 68 anos, mínima de 60 e máxima de 99, sendo 534 homens e 931 mulheres, todos cadastrados na Secretaria do Idoso. Os pacientes foram submetidos a uma série de exames em três etapas, a última concluída no final do ano passado.
Catarata A partir de exames específicos, a equipe pôde quantificar os principais problemas visuais apresentados por londrinenses acima de 60 anos e encaminhá-los para tratamento, afirma o médico oftalmologista e diretor do Hoftalon, Nobuaqui Hasegawa. As deficiências visuais afetam as pessoas em qualquer época da vida, mas existem algumas que são próprias da terceira da idade, acrescenta. Entre as muitas alterações encontradas em grande parte dos pacientes examinados pelos médicos do Hoftalon, Hasegawa destaca a catarata, o glaucoma, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), a retinopatia diabética, o pterígeo, além de miopia, encontrada em 23,48% dos pacientes, e hipermetropia, em 52,97%.
Na constatação da catarata senil, a forma mais comum dessa doença que causa a perda da transparência do cristalino ou da sua cápsula, houve grande variação de densidade, mas 24,82% apresentaram o problema com indicação de tratamento cirúrgico e 20,7% em fase inicial; 7,79% já haviam sido operados. As cataratas com indicação cirúrgica foram encaminhadas para tratamento, a grande maioria pelo Sistema Único de Saúde (SUS), informa o oftalmologista.
Glaucoma A ocorrência de glaucoma, doença que se não for diagnosticada e tratada precocemente pode levar à cegueira, apresentou uma incidência de 9,8%, sendo que destes, 7,72% desconheciam ser portadores. Nos Estados Unidos é a segunda maior causa de cegueira as estimativas apontam 1 milhão de americanos com glaucoma, que desconhecem a doença, detectada através da medida da pressão intra-ocular.
A degeneração macular relacionada à idade, responsável pelo borramento da visão central e que também pode levar à perda da visão pessoas acima de 65 anos, foi encontrada em 9,94% dos pacientes examinados pela equipe do Hoftalon. Já a retinopatia diabética, considerada a principal causa de cegueira entre a idade de 20 a 65 anos, foi detectada em 3,37%.
O diabético tem 25 vezes mais chances de tornar-se cego em comparação ao não diabético, alerta Hasegawa. A boa notícia é que a retinopatia é uma doença que pode ser prevenida nos portadores de diabetes, e o controle metabólico é um dos fatores mais importantes para retardar seu aparecimento, acrescenta o oftalmologista.


