Secretária ‘‘sargento’’ já era. A submissa, que mal abre a boca na presença do chefe, também. Hoje, para subir na carreira e ser uma profissional ‘‘top de linha’’, é preciso ter um perfil que nem de longe lembra a subserviência muda, marcada pela passividade, de décadas atrás. Profissionais de recursos humanos dão as dicas sobre o perfil da secretária ideal.
Dinamismo, responsabilidade, bom relacionamento interpessoal e postura de assessora. Estas são as características mais citadas pelos consultores. ‘‘Nos Estados Unidos, secretária chama-se assistente. Ela é uma extensão do diretor’’, indica Winston Pegler, diretor da Ray & Berndtson Consultores em Seleção de Executivos.
A empresa de Pegler não recruta secretárias, apenas executivos. Mas isso não significa que o diretor tenha pouco contato com elas: ‘‘Elas são minhas melhores amigas’’, exagera. ‘‘Sem elas, eu não faria tudo o que faço.’’
Pegler faz uma comparação entre os perfis antigo e moderno da profissão. Antes, as características desejadas eram a discrição e a fidelidade cega. Hoje, são a inteligência, o poder de delegação e a fidelidade racional. Esta última significa que não é necessário obedecer incondicionalmente às ordens do chefe. Em determinadas situações, vale questionar, com bom senso, se aquela é realmente a melhor atitude e propor uma alternativa.
‘‘Hoje, a secretária tem autonomia para tomar decisões não estratégicas, mas operacionais. Ela tem de ajudar o executivo a pensar, e pensar por ele na sua ausência, dando suporte total’’, ressalta Lucy Kerestes, gerente de projetos de RH da Foco Recursos Humanos. ‘‘E, para isso, precisa estar em total sintonia com o chefe’’.
Mais participação ‘‘Algumas secretárias ainda têm um problema: se subestimam’’, observa Sônia Gonzales, consultora da D. M. Decision Making Recursos Humanos. Para ela, a profissional precisa conscientizar-se de que, hoje, suas funções são bastante amplas e envolver-se com a empresa. ‘‘Ela não apenas marca a reunião, como sabe o motivo e participa dela’’, exemplifica.
Nesse novo perfil da profissão, em que tanto o campo quanto o nível das responsabilidades são grandes, funcionar como um elo entre o chefe e o resto do mundo tornou-se ainda mais importante. ‘‘Na época em que comecei, secretária era aquela que servia cafezinho e datilografava’’, lembra Maria Ester Cambréa Alonso, coordenadora do curso de secretariado executivo bilíngue da Faculdade Ítalo Brasileira, em São Paulo. ‘‘Agora, a ferramenta número um é a comunicação. A relação interpessoal tem que ser muito bem equilibrada’’, conclui.
Segundo Bobbi Linkemer, autor do livro ‘‘Secretária Eficiente’, a habilidade de comunicação é a alma do negócio. Isso significa, em outras palavras, que é necessário saber lidar com pessoas em todos os níveis das estruturas interna e externa, ser uma pessoa de fácil acesso. Não se pode esquecer de que o bom atendimento, que vem sendo um dos pontos mais trabalhados nas empresas nos últimos anos, passa pela secretária. ‘‘Ela é uma embaixadora, uma diplomata, facilita a comunicação’’.
Já Lucy Kerestes destaca que a profissional sempre representa seu superior e, por isso, é importante saber lidar com todo tipo de público, especialmente com os altos executivos que mantêm vínculos profissionais com o chefe. ‘‘Não se pode ter medo de colocar o dedo na boca do leão’’, diz.

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