Um nova arma contra o colesterol
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de abril de 2004
Angela Raizer Barbosa<br> Enviada Especial 
Mais de 45 mil pessoas morrem por dia cerca de 32 por minuto de doenças cardiovasculares (CVD), um total de 16,5 milhões de vítimas a cada ano no mundo, representando a principal causa de morte segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesta guerra que só tem perdedores, os níveis elevados do colesterol ruim (LDL) são os principais fatores de risco.
No Brasil, uma pesquisa realizada em fevereiro último constatou que a população brasileira sabe o que é colesterol, mas a maioria não se trata. O levantamento foi feito em 70 cidades brasileiras pelo Instituto Vox Populi, numa iniciativa do laboratório AstraZeneca em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e Fundação do Coração (Funcor).
A pesquisa revelou dados surpreendentes: do total de 1.200 entrevistados, 78% disseram saber o que é colesterol, entretanto, 61% deles nunca se submeteram a exame para detecção do mal. Outro número alarmante é que, das pessoas que sabem que seu colesterol é elevado, 86% não fazem nenhum tipo de tratamento e 91% levam uma vida sedentária. E o que é pior, no grupo dos omissos, 78% dos que ganham mais de 10 salários mínimos de renda mensal e 70% dos que têm curso superior completo que sabem que estão com colesterol elevado não se tratam.
Esses números foram apresentandos no encontro que reuniu 500 cardiologistas brasileiros e latino-americanos, no final do mês passado, no Rio de Janeiro, para lançamento do Crestor (rosuvastatina cálcica), uma nova versão da substância utilizada no tratamento do colesterol, já disponível em mais de 50 países (ver box).
Para o presidente da Funcor/SBC, Raimundo Marques do Nascimento, a pesquisa impressionou os médicos porque esses números representam apenas a ponta de um iceberg num país submerso no desconhecimento da gravidade do colesterol. ''Como assunto tem sido amplamente discutido, acreditava-se que a população possuísse um conhecimento maior sobre o colesterol e suas implicações'', diz ele. A constatação de que esse conhecimento não existe, segundo Nascimento, aponta um problema educacional no Brasil. ''Isso nos motiva a realizar campanhas mais abrangentes sobre o colesterol, não apenas no que se refere à condição em si, mas também sobre a prevenção e os cuidados com alimentação, sedentarismo, tabagismo, hipertensão, outros fatores críticos para o desenvolvimentos de doenças coronarianas'', alerta o cardiologista.
Outro aspecto preocupante está relacionado especialmente às mulheres e foi apontado pelo presidente da SBC, Antonio Felipe Simão. ''A partir da menopausa, a mortalidade feminina é maior por doenças cardiovasculares, apesar de o homem ser mais atingido, ou seja, o enfarte é mais fatal nas mulheres do que nos homens'', observa Simão. ''A mulher não valoriza os sintomas e os médicos também não'', diz ele, alertando para o fato de que ''elas perderam parte de sua proteção quando viraram um pouco homens, assumindo o trabalho fora de casa e duplicando a jornada com as tarefas domésticas''. Some-se a isso a perda da proteção hormonal pós-menopausa, fase em que a mulher não conta mais com os hormônios, ficando mais vulnerável à CVD. ''Vários estudos têm demonstrado que tomar hormônios não evita as doenças cardiovasculares; a reposição hormonal previne apenas males estritamente femininos, como a osteoporose e os fogachos típicos desse período'', observa o cardiologista.


