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quinta-feira, 03 de maio de 2007
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Formado há menos de seis meses em relações-públicas, Mário Calzavara, 22 anos, já conquistou algo que muitos colegas demoram anos para conseguir, e isso quando conseguem. Com uma vaga garantida no exterior, Mário vai ter assumir seu primeiro trabalho muitos quilômetros longe de casa. À espera do visto no passaporte, ele deve embarcar nos próximos dias para a Rússia, onde tem contrato de seis meses com um canal de televisão na cidade de Ufa.
Para chegar até a vaga russa, Mário passou os últimos sete meses participando da Aiesec, uma organização internacional de estudantes com presença em 95 países. Nascida no pós-guerra, a Aiesec (que nasceu como sigla para uma associação internacional de estudantes) foi fundada por estudantes de sete países europeus. Seis décadas depois são mais de 20 mil membros espalhados pelo planeta - o número sobe para um milhão se computados os ex-membros. No Brasil são 19 escritórios, sendo que dois estão no Paraná - em Curitiba e Maringá. Aliás, é pelo escritório maringaense que Mário Calzavara está vinculado.
Mais do que ''exportar'' os jovens, a organização tem como objetivo fazer com que eles descubram seu potencial, ''e que isso resulte em um impacto positivo na sociedade'', explica Cíntia Prates Moreira, 21 anos, e atual presidente da Aiesec Maringá. Estudante do quarto ano de administração de empresas, ela participa da organização há quase três anos, mas só pensa em entrar na fila para um estágio remunerado no ano que vem, quando se formar. Mas Cíntia já poderia ter embarcado para o exterior se quisesse. Pode participar quem já tem 60% do curso concluído ou então aqueles com no máximo dois anos de formado ou de vínculo com a universidade, como uma pós-graduação. A idade é que não pode ultrapassar os 35 anos.
Moradores da Cidade Canção podem ser membros ativos e ocupar posições de liderança como Cíntia. Quem é de fora como os londrinenses Mário e Carla Macarini, recém-chegada ao grupo, só pode participar do intercâmbio. De acordo com a presidente, são três bases nas quais o associado é incluído: ambiente global, desenvolvimento de liderança e estágio remunerado no exterior.
Independente, não partidária, sem fins lucrativos e dirigida por estudantes universitários ou recém-graduados, a Aiesec tem membros voluntários com muitas responsabilidades. Além de mandar jovens para o exterior, um escritório como o de Maringá também tem que se preparar para oferecer vagas na cidade. Tanto que Cíntia e a equipe trabalham sob pressão para aumentar a rede de contatos com empresários interessados na parceria.
''Os estagiários não têm vínculo empregatício'', explica Cíntia. Tanto no Brasil quanto no exterior é possível se manter com o salário. ''Não dá para ficar rico'', adianta a presidente. A Aiesec se responsabiliza por encontrar também moradia para seus associados.
Com o diploma de marketing e propaganda desde junho do ano passado, Carla Macarini se integrou rapidamente ao mercado de trabalho. Com quase um ano de experiência, ela já se considera pronta para um novo desafio: trabalhar no exterior. Apesar das experiências como estudante nos Estados Unidos, ela sabe que agora vai ser bem diferente. ''Sempre quis ter essa experiência'', explica Carla, que passou em março no teste seletivo da Aiesec. Em alguns dias vai estar apta a buscar - pelos próximos seis meses - uma vaga fora do País. ''Queria que fosse na Europa'', adianta, ''mas sei que a maioria das vagas está na Ásia'', completa.
Ainda na faculdade, Carla tomou conhecimento da Aiesec por meio de um tio, mas só obteve mais detalhes quando uma amiga foi aceita como membro. ''Ela foi para o Canadá e está adorando'', conta. Para a jovem, a hora de viajar é mais do que propícia. ''Tenho experiência e uma rede de contatos para quando voltar. Se esperasse me estabilizar ficaria mais difícil de partir'', diz sabiamente.
De acordo com Cíntia Moreira, os estágios remunerados podem durar de dois meses a um ano e meio, dependendo do contrato. Os testes seletivos não são muito rigorosos, diz ela. Mas é preciso ser fluente em inglês qualquer que seja o destino do intercambista. Enquanto espera pelo visto, Mário Calzavara aprende o que pode da língua e da cultura russa.
Cada intercambista precisa arcar com as despesas de passagens e moradia. Mas ninguém reclama porque sabe que vai ganhar em dobro. Não em dinheiro, ''mas em experiência de vida'', acredita Mário. ''Não é mesmo pra ficar rico'', avisa Cíntia.
Na região de Maringá, um estagiário internacional custa pouco menos de R$ 1.000 para a empresa, de acordo com a presidente da Aiesec local. Pelo mundo afora, a organização tem parceria com empresas como Microsoft, Nike, Coca-Cola, Shell entre outros grandes nomes.
Serviço:
Aiesec Maringá: fone: (44) 3261-3688. E-mail: [email protected]


