Poder brincar na terra sem medo de sujar as mãos e levar uma bronca. Fazer brigadeiro, pizza e bolo sem ter que pedir a ajuda de gente grande. Brincar de tudo o que for possível imaginar. Quem nunca pensou num lugar como este quando era criança, que atire a primeira bolinha de terra. E o melhor de tudo é que esse lugar existe, bem ao alcance daqueles pais desesperados que não sabem como ocupar os filhos o dia inteiro. Criada em Curitiba há cinco anos, a brinquedoteca vem surpreendendo até mesmo as crianças mais crescidinhas. Mas afinal, que ‘‘bicho’’ é esse? Essa tal de brinquedoteca?
A idéia surgiu há muito tempo na Europa. No início, não passava de um lugar onde era possível alugar ou emprestar brinquedos, da mesma forma que se emprestam livros numa biblioteca. Mas, no Brasil, ela assumiu um papel muito maior. Ao invés de simplesmente alugar a matéria-prima, a brinquedoteca também ensina a brincar através dos contos de fadas e até mesmo da história do mundo.
‘‘É uma espécie de segunda casa da criança’’, explica a assistente social Ingrid Cadore, uma das coordenadoras da Brink-Tek. ‘‘Nossa proposta é a de ajudar a família a cuidar da criança no chamado contra-horário. Ou seja, aquele em que ela não está na escola. Assim, nós não apenas auxiliamos no dever de casa, como ainda levamos as crianças para as atividades extras que elas façam durante o período em que ficam conosco, como por exemplo um curso de computação ou uma aula de natação. Mas o que temos de melhor é mesmo o espaço que oferecemos para que ela possa brincar por inteiro’’.
E quando se fala em brincar por inteiro, basta lembrar das crianças de apartamento. Aquelas que ficam restritas ao playground ou à pracinha em frente ao prédio. ‘‘Como você vai ter oito delas pintando ou brincando com martelos dentro de uma sala? Ou onde você vai guardar e deixar que eles usem o carrinho de rolimã?’’, pergunta a assistente social. ‘‘Não adianta a criança ter uma preparo físico excelente, ou saber usar o computador e falar inglês, se ela não tem um espaço para si. Nós entendemos o ato de brincar como uma forma de se conhecer e refletir. Muitas vezes é apenas disso que elas precisam’’.

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