Na última edição da São Paulo Fashion Week, em junho, o jogador Ronaldo, do Real Madrid, não escondeu sua paixão e, de máquina fotográfica à mão, babou na platéia durante os desfiles de sua musa, a modelo Daniella Cicarelli. Em agosto, foi a vez dela conferir de perto o trabalho do craque, visitando os treinos da seleção brasileira em Teresópolis, no Rio, onde a equipe se preparava para o jogo contra a Bolívia, pelas eliminatórias da Copa.
Olhando assim, parece tratar-se apenas de mais um casal de pombinhos enamorados (o casamento, inclusive, já está até marcado: será no dia 2 de janeiro de 2005, em Paris). Mas uma folheada mais atenta nas revistas de celebridades mostra que, quando o amor está no ar, os famosos fazem questão de estar sempre a tiracolo dos parceiros.
Em qualquer situação Para os especialistas, esse comportamento pode ser considerado normal, desde que os envolvidos consigam respeitar os limites de individualidade do outro. ''Quando estamos no auge da paixão, muitas vezes temos sintomas parecidos com os da loucura: ficamos sem dormir ou comer, divagamos, criamos um mundo particular, perdemos a objetividade. É uma ''loucura'' temporária, na qual um se funde ao outro e parte das individualidades ficam misturadas numa simbiose profunda, como a que ocorre nos primeiros anos de vida dos bebês em relação a suas mães. A sensação é a de precisar do outro para sobreviver'', explica Ana Cristina Canosa, psicóloga e terapeuta sexual.
Para Cássio dos Reis, psicanalista e especialista em rela-cionamentos, é estimulante imaginar-se o tempo todo ao lado da pessoa que se ama. ''Isso é muito bom para uma relação. O que não pode haver é uma presença excessiva, exatamente porque as diferenças entre os parceiros ficam evidentes e acabam incomodando, quando não sufocando'', acredita.
Nessas horas não importa se o casal é formado por famosos ou anônimos, pois a relação-chiclete acaba reunindo ingredientes capazes de esfriar qualquer paixão. Quando as cobranças crescem num ritmo maior que o sentimento envolvido, o desgaste torna-se inevitável. ''O sucesso ou o fracasso de casais nessa situação depende de como os parceiros se deixam contaminar pela identidade do outro. Nessa confusão de egos, alguém sempre sai prejudicado'', afirma o psicanalista.

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